O Tropicalismo foi um movimento musical que ganhou repercussão no teatro, na literatura e no cinema no ano de 1967. Os iniciadores desse movimento foram Gilberto Gil, Caetano Veloso, Gal Costa, Tom José, os poetas Torquato Neto e Capinam e o maestro Rogério Duprat.
Caetano e Gil aproveitaram algumas ideias contidas no Manifesto Antropófago, de Oswald de Andrade. No campo musical, os tropicalistas misturavam os ritmos e os instrumentos brasileiros ao rock e às guitarras elétricas, fundindo o primitivo, o folclórico e o regional ao moderno civilizado, o nacional e o estrangeiro, numa verdadeira deglutição cultural.
(In: OLIVEIRA, Ana Tereza Pinto de. Minimanual compacto de literatura brasileira: teoria e prática, 1ed. São Paulo. Ridel, 2003, págXXX)
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sexta-feira, 18 de maio de 2012
terça-feira, 27 de setembro de 2011
Critóvão Tezza - O filho eterno

A OBRA
Um homem de letras, revisor de textos, aspirante a escritor, tem um primeiro filho que nasce com Síndrome de Down. A história de O Filho Eterno vai girar em torno da lenta aceitação desse filho e das dificuldades de ser pai de uma criança que não amadurecerá como as outras crianças. O que se vê, na verdade, é que, mais do que a criança, é o pai quem precisa amadurecer.
Em linhas gerais, o enredo é muito modesto. Após a rejeição inicial do filho, e até a fantasia por parte do pai de que a criança possa não sobreviver, temos a negação da diferença (o pai matricula Felipe em uma escola comum), depois um afastamento físico (o pai vai lecionar em Florianópolis), até a lenta aceitação da paternidade de uma criança especial e que vai começar com o retorno do pai a Curitiba.
Por fim, vai se estabelecer uma relação de comunhão e amor entre pai e filho, ancorada especialmente no futebol, que dará a Felipe a noção ainda que precária de tempo e de objeto a que amar.
COMO LER
Importância do livro: contato com a prosa contemporânea brasileira, especialmente nos recursos de linguagem. Há ainda a importante discussão da paternidade de uma criança com características especiais.
O que o vestibulando deve observar: os planos temporais do livro. Ele é narrado no presente, mas faz muitas incursões no passado (flashbacks da vida do pai) e também alguns deslocamentos para o futuro (dizendo o que ocorrerá com as personagens).
O pano de fundo histórico: anos de chumbo (Ditadura) _ redemocratização _ descrença na política contemporânea.
O título: o filho é eterno porque a criança não tem noção da cronologia, está fora do tempo como nós o conhecemos. Desse modo, não haverá o natural processo da relação entre pais e filhos (os pais cuidam dos filhos e um dia velhos serão por eles cuidados).
Dificuldade do livro: idas e vindas do narrador. Por vezes, ele recorre ao uso do discurso indireto livre, passando a palavra ao pai, o que parecerá uma narrativa em primeira pessoa.
Como entender o personagem principal: lembre-se de que o personagem é um homem de letras e que haverá muitas referências literárias ao longo de O Filho Eterno.
Uma chave de leitura: falou-se muito em uma narrativa de cunho autobiográfico, o que não pode ser totalmente descartado uma vez que Cristóvão Tezza também tem um filho com Down e que se chama Felipe, além de uma série de outras coincidências. Não se esqueça, porém, que se trata de uma reelaboração literária, ou seja, ficcional.
http://wp.clicrbs.com.br/clicvestibular/2011/08/10/os-livros-da-ufrgs/?topo=77,1,1,,,77, em 27/09/2011.
João Cabral de Melo Neto - A educação pela pedra

A obra
Obra da maturidade do poeta pernambucano João Cabral de Melo Neto, A Educação pela Pedra potencializa algumas questões muito caras ao poeta, como o apuro formal, o gosto pela arquitetura do verso, e um caminho para o mundo externo que seria quase a anulação do sentimento lírico clássico (o que fala da subjetividade), criando uma espécie de antilira.
O livro se divide em quatro partes, cada qual com 12 poemas: Nordeste (a), Não-Nordeste (b), Nordeste (A), Não-Nordeste (B). Vale atentar que essa simetria é puramente intencional por parte de João Cabral. Só para ilustrar a questão, as partes com letra minúscula têm poemas de 16 versos, ao passo que as de letra maiúscula, 24. Além disso, como um todo se pode perceber uma homenagem ao barroco na quantidade de duplos e antíteses nos poemas, somado a uma aridez temática, tão bem representada no título. Ocasionalmente, pode haver ironia e humor em alguns poemas da obra.
Valeria destacar para os vestibulandos alguns poemas que servem tanto como chave de leitura para os demais como também de exemplo das características do livro.
Entre eles estariam: A Educação pela Pedra (discussão sobre o fazer poético), Catar Feijão (uma reflexão sobre a dureza das palavras), Tecendo a Manhã (a poesia e a literatura vistas como uma comunicação entre textos), Duas Bananas & a Bananeira (descrição do sertão), O Mar e o Canavial (símbolo das tensões e antíteses que ocorrem com frequência no livro).
Como ler
- Importância do livro: trata-se de uma obra significativa de um dos grandes poetas da modernidade brasileira.
- O que o vestibulando deve observar: a presença do sertão nas partes nordestinas e a experiência da vida na Espanha, nas partes não nordestinas. É preciso muita atenção com a busca por uma linguagem plenamente adequada à temática, em outras palavras, a perfeita integração entre forma e conteúdo.
- Dificuldade do livro: trata-se da obra mais complexa selecionada pela UFRGS. Recomenda-se paciência na hora da leitura e pelo menos duas ou três leituras para cada poema.
- Uma chave de leitura: guarde em mente a importância do número 4 e da simetria entre os poemas para João Cabral. O título é bastante sugestivo para buscarmos a compreensão das intenções do poeta. Que educação seria esta que a pedra tem a nos oferecer? Um último ponto importante é aceitar o aspecto inovador e de ruptura dos versos cabralinos, se não na forma, na intenção de buscar uma objetividade extrema, evitando todo e qualquer sentimentalismo da poesia mais simples.
http://wp.clicrbs.com.br/clicvestibular/2011/09/23/leituras-obrigatorias-da-ufrgs-a-educacao-pela-pedra/ em 23/09/2011.
Obra da maturidade do poeta pernambucano João Cabral de Melo Neto, A Educação pela Pedra potencializa algumas questões muito caras ao poeta, como o apuro formal, o gosto pela arquitetura do verso, e um caminho para o mundo externo que seria quase a anulação do sentimento lírico clássico (o que fala da subjetividade), criando uma espécie de antilira.
O livro se divide em quatro partes, cada qual com 12 poemas: Nordeste (a), Não-Nordeste (b), Nordeste (A), Não-Nordeste (B). Vale atentar que essa simetria é puramente intencional por parte de João Cabral. Só para ilustrar a questão, as partes com letra minúscula têm poemas de 16 versos, ao passo que as de letra maiúscula, 24. Além disso, como um todo se pode perceber uma homenagem ao barroco na quantidade de duplos e antíteses nos poemas, somado a uma aridez temática, tão bem representada no título. Ocasionalmente, pode haver ironia e humor em alguns poemas da obra.
Valeria destacar para os vestibulandos alguns poemas que servem tanto como chave de leitura para os demais como também de exemplo das características do livro.
Entre eles estariam: A Educação pela Pedra (discussão sobre o fazer poético), Catar Feijão (uma reflexão sobre a dureza das palavras), Tecendo a Manhã (a poesia e a literatura vistas como uma comunicação entre textos), Duas Bananas & a Bananeira (descrição do sertão), O Mar e o Canavial (símbolo das tensões e antíteses que ocorrem com frequência no livro).
Como ler
- Importância do livro: trata-se de uma obra significativa de um dos grandes poetas da modernidade brasileira.
- O que o vestibulando deve observar: a presença do sertão nas partes nordestinas e a experiência da vida na Espanha, nas partes não nordestinas. É preciso muita atenção com a busca por uma linguagem plenamente adequada à temática, em outras palavras, a perfeita integração entre forma e conteúdo.
- Dificuldade do livro: trata-se da obra mais complexa selecionada pela UFRGS. Recomenda-se paciência na hora da leitura e pelo menos duas ou três leituras para cada poema.
- Uma chave de leitura: guarde em mente a importância do número 4 e da simetria entre os poemas para João Cabral. O título é bastante sugestivo para buscarmos a compreensão das intenções do poeta. Que educação seria esta que a pedra tem a nos oferecer? Um último ponto importante é aceitar o aspecto inovador e de ruptura dos versos cabralinos, se não na forma, na intenção de buscar uma objetividade extrema, evitando todo e qualquer sentimentalismo da poesia mais simples.
http://wp.clicrbs.com.br/clicvestibular/2011/09/23/leituras-obrigatorias-da-ufrgs-a-educacao-pela-pedra/ em 23/09/2011.
sexta-feira, 16 de setembro de 2011
Moacyr Scliar - O Centauro no Jardim

A obra
Guedali Tartakovsky é um menino judeu que nasce metade homem, metade cavalo, como a mitológica figura do centauro. Criado por sua família em uma fazenda afastada (para evitar escândalos), enfrentará uma série de aventuras até conhecer uma outra centaura, Tita, com quem terminará por se casar mais tarde.
Surge então a possibilidade de uma cirurgia transformadora no Marrocos, que possa livrá-los da parte equina. O quarto traseiro é praticamente extirpado, restando as duas patas dianteiras. Para que possam caminhar com os cascos,usam botas ortopédicas especiais.
Depois disso, o casal vai viver em São Paulo (a mãe de Guedali tem dificuldades em aceitar uma nora que não seja judia), onde Guedali consegue vencer na vida.O casal tem filhos gêmeos que nascem plenamente saudáveis. Fazem amigos, em especial o casal Paulo e Fernanda.
Aos poucos, as lembranças da vida como centauro começam a atormentá-lo. Chega, por fim, a regressar ao Marrocos em busca de uma cirurgia reversiva. Lá conhece uma esfinge com quem mantém relações, que acaba escapando de sua jaula e sendo morta. Guedali retorna sem fazer a cirurgia.
Um dia, seus cascos se rompem, surgindo dois pezinhos (o couro já vinha se afinando e se transformando em pele).
A história termina no mesmo restaurante em que o livro começara, já no presente da narrativa (1973). Nesse momento, porém, ouvimos a versão de Tita para a história dos dois, que contradiz a versão que lemos até agora: Guedali nunca teria sido um centauro - nascera com uma deformação e depois um tumor o levara a crer que era um diferente.
Como ler
- Importância do livro: romance importante dentro da ficção contemporânea, em especial por seu caráter alegórico e pelo retrato da imigração judaica no sul do Brasil. Além disso, uma justa homenagem a Moacyr Scliar, recentemente falecido.
- O que o vestibulando deve observar: a impossibilidade em determinar se Guedali é ou não um centauro no sentido realista. Tal questão deve ser vista com autela, pois mais importante é admitir que muitas leituras são possíveis: a simbólica, a alegórica, fantástica e até realista (Guedali nunca foi um centauro senão para si mesmo).
- Dificuldade do livro: o livro não apresenta dificuldades de leitura quanto à compreensão do texto, como ocorre em outras das leituras obrigatórias.
- Como conhecer o personagem principal: lembre-se que Guedali é, antes de mais nada, alguém em busca de sua identidade: judeu/brasileiro, gaúcho/paulista, campônio/citadino, homem/centauro.
- Uma chave de leitura: Scliar segue a tradição da narrativa fantástica (Kafka, Cortázar), família de escritores para os quais a realidade não é mais que um espaço para o improvável, para o onírico, para o absurdo que, ao contrário das fábulas, pode ocorrer à luz do meio-dia.
http://wp.clicrbs.com.br/clicvestibular/2011/09/16/o-livros-da-ufrgs-o-centauro-no-jardim/, em 16/09/2011.
Guedali Tartakovsky é um menino judeu que nasce metade homem, metade cavalo, como a mitológica figura do centauro. Criado por sua família em uma fazenda afastada (para evitar escândalos), enfrentará uma série de aventuras até conhecer uma outra centaura, Tita, com quem terminará por se casar mais tarde.
Surge então a possibilidade de uma cirurgia transformadora no Marrocos, que possa livrá-los da parte equina. O quarto traseiro é praticamente extirpado, restando as duas patas dianteiras. Para que possam caminhar com os cascos,usam botas ortopédicas especiais.
Depois disso, o casal vai viver em São Paulo (a mãe de Guedali tem dificuldades em aceitar uma nora que não seja judia), onde Guedali consegue vencer na vida.O casal tem filhos gêmeos que nascem plenamente saudáveis. Fazem amigos, em especial o casal Paulo e Fernanda.
Aos poucos, as lembranças da vida como centauro começam a atormentá-lo. Chega, por fim, a regressar ao Marrocos em busca de uma cirurgia reversiva. Lá conhece uma esfinge com quem mantém relações, que acaba escapando de sua jaula e sendo morta. Guedali retorna sem fazer a cirurgia.
Um dia, seus cascos se rompem, surgindo dois pezinhos (o couro já vinha se afinando e se transformando em pele).
A história termina no mesmo restaurante em que o livro começara, já no presente da narrativa (1973). Nesse momento, porém, ouvimos a versão de Tita para a história dos dois, que contradiz a versão que lemos até agora: Guedali nunca teria sido um centauro - nascera com uma deformação e depois um tumor o levara a crer que era um diferente.
Como ler
- Importância do livro: romance importante dentro da ficção contemporânea, em especial por seu caráter alegórico e pelo retrato da imigração judaica no sul do Brasil. Além disso, uma justa homenagem a Moacyr Scliar, recentemente falecido.
- O que o vestibulando deve observar: a impossibilidade em determinar se Guedali é ou não um centauro no sentido realista. Tal questão deve ser vista com autela, pois mais importante é admitir que muitas leituras são possíveis: a simbólica, a alegórica, fantástica e até realista (Guedali nunca foi um centauro senão para si mesmo).
- Dificuldade do livro: o livro não apresenta dificuldades de leitura quanto à compreensão do texto, como ocorre em outras das leituras obrigatórias.
- Como conhecer o personagem principal: lembre-se que Guedali é, antes de mais nada, alguém em busca de sua identidade: judeu/brasileiro, gaúcho/paulista, campônio/citadino, homem/centauro.
- Uma chave de leitura: Scliar segue a tradição da narrativa fantástica (Kafka, Cortázar), família de escritores para os quais a realidade não é mais que um espaço para o improvável, para o onírico, para o absurdo que, ao contrário das fábulas, pode ocorrer à luz do meio-dia.
http://wp.clicrbs.com.br/clicvestibular/2011/09/16/o-livros-da-ufrgs-o-centauro-no-jardim/, em 16/09/2011.
terça-feira, 30 de agosto de 2011
Modernismo - Resumo
Momento sócio-cultural
. As máquinas e o ritmo acelerado da civilização industrial se incorporavam à paisagem brasileira.
. Problemas sociais antigos continuam sem solução, produzindo tensões e conflitos graves. Os meios intelectuais sentem que é preciso reformar o Brasil, mergulhado em uma contradição grave: ao mesmo tempo em que se modernizava, mantinha uma organização social arcaica.
Características literárias
. A 1ª fase é a de ruptura com o passado. Humor, uso do coloquial, primitivismo, vanguardas, tudo é válido para criar uma literatura em sintonia com os novos tempos.
. Na 2ª fase se estabelecem o romance regionalista, que retrata uma certa região do país, e a prosa intimista, que estuda o homem urbano.
. A 3ª fase nega algumas das propostas da 1ª e retoma o uso cuidadoso e consciente da palavra. O número de correntes literárias cresce, o que torna difícil de classificar esta fase.
Autores e obras
. Mário de Andrade: deixou uma obra vasta e muito influente, onde os destaques são Pauliceia Desvairada (1922), Macunaíma (1928), Contos Novos (1946), Lira Paulistana (1946).
. Oswald de Andrade: incorporou elementos das vanguardas européias em seus poemas. Escreveu Memórias Sentimentais de João Miramar (1924), Pau Brasil (1925), Serafim Ponte Grande (1933), O Rei da Vela (1937).
. Manuel Bandeira: deixou obra lírica, precisa e simples, mas muito bem construída. Destacam-se Libertinagem (1930), Estrela da Manhã (1936), Itinerário de Pasárgada (1954), Estrela da Vida Inteira (1966).
. Graciliano Ramos: expoente do romance regional e de análise psicológica. Principais obras: São Bernardo (1934), Angústia (1936), Vidas Secas (1938). Memórias do Cárcere (1953).
. Carlos Drummond de Andrade: considerado um dos maiores poetas da literatura brasileira, deixou obra que expressa a angústia do homem contemporâneo. Destaques: Alguma Poesia (1930), Sentimento do Mundo (1940), A Rosa do Povo (1945), Claro Enigma (1951), Boitempo (1968).
. João Cabral de Melo Neto: deixou obra sem exageros sentimentais, precisa e seca. Destaques: Pedra do Sono (1942), O Cão sem Plumas (1950), Morte e Vida Severina (1956), Museu de Tudo (1975).
. Clarice Lispector: autora de obra voltada ao intimismo e ao mergulho na psique dos personagens. Principais obras: A Cidade Sitiada (1949), A Paixão segundo G.H. (1964), Água Viva (1973), A Via-Crucis do Corpo (1974), A Hora da Estrela (1977).
. Guimarães Rosa: usando o sertão mineiro como cenário, criou obra que investiga temas universais. Destaques: Sagarana (1946), Corpo de Baile (1956), Grande Sertão: Veredas (1956), Tutaméia (Terceiras Estórias) (1967).
In: Manual da literatura:literatura portuguesa /literatura brasileira. Teresinha de Oliveira Ledo. DCL, 2001. Pg.291.
. As máquinas e o ritmo acelerado da civilização industrial se incorporavam à paisagem brasileira.
. Problemas sociais antigos continuam sem solução, produzindo tensões e conflitos graves. Os meios intelectuais sentem que é preciso reformar o Brasil, mergulhado em uma contradição grave: ao mesmo tempo em que se modernizava, mantinha uma organização social arcaica.
Características literárias
. A 1ª fase é a de ruptura com o passado. Humor, uso do coloquial, primitivismo, vanguardas, tudo é válido para criar uma literatura em sintonia com os novos tempos.
. Na 2ª fase se estabelecem o romance regionalista, que retrata uma certa região do país, e a prosa intimista, que estuda o homem urbano.
. A 3ª fase nega algumas das propostas da 1ª e retoma o uso cuidadoso e consciente da palavra. O número de correntes literárias cresce, o que torna difícil de classificar esta fase.
Autores e obras
. Mário de Andrade: deixou uma obra vasta e muito influente, onde os destaques são Pauliceia Desvairada (1922), Macunaíma (1928), Contos Novos (1946), Lira Paulistana (1946).
. Oswald de Andrade: incorporou elementos das vanguardas européias em seus poemas. Escreveu Memórias Sentimentais de João Miramar (1924), Pau Brasil (1925), Serafim Ponte Grande (1933), O Rei da Vela (1937).
. Manuel Bandeira: deixou obra lírica, precisa e simples, mas muito bem construída. Destacam-se Libertinagem (1930), Estrela da Manhã (1936), Itinerário de Pasárgada (1954), Estrela da Vida Inteira (1966).
. Graciliano Ramos: expoente do romance regional e de análise psicológica. Principais obras: São Bernardo (1934), Angústia (1936), Vidas Secas (1938). Memórias do Cárcere (1953).
. Carlos Drummond de Andrade: considerado um dos maiores poetas da literatura brasileira, deixou obra que expressa a angústia do homem contemporâneo. Destaques: Alguma Poesia (1930), Sentimento do Mundo (1940), A Rosa do Povo (1945), Claro Enigma (1951), Boitempo (1968).
. João Cabral de Melo Neto: deixou obra sem exageros sentimentais, precisa e seca. Destaques: Pedra do Sono (1942), O Cão sem Plumas (1950), Morte e Vida Severina (1956), Museu de Tudo (1975).
. Clarice Lispector: autora de obra voltada ao intimismo e ao mergulho na psique dos personagens. Principais obras: A Cidade Sitiada (1949), A Paixão segundo G.H. (1964), Água Viva (1973), A Via-Crucis do Corpo (1974), A Hora da Estrela (1977).
. Guimarães Rosa: usando o sertão mineiro como cenário, criou obra que investiga temas universais. Destaques: Sagarana (1946), Corpo de Baile (1956), Grande Sertão: Veredas (1956), Tutaméia (Terceiras Estórias) (1967).
In: Manual da literatura:literatura portuguesa /literatura brasileira. Teresinha de Oliveira Ledo. DCL, 2001. Pg.291.
segunda-feira, 29 de novembro de 2010
Guimarães Rosa - Manuelzão e Miguilim
RESUMO
Manuelzão e Muguilim, assim como as obras No Urubuquaquá, no Pinhém e Noites do Sertão, inicialmente era parte integrante do livro Corpo de Baile, publicado em 1956.
Compõem a obra duas novelas: “Campo Geral” e “Uma Estória de Amor”.
CAMPO GERAL
Esta novela tem como personagem principal Miguilim, um garoto de oito anos que morava na mata do Mutum com a família.
Dos irmãos, Miguilim era o mais velho. Depois vinha Dito, irmão que tinha a maturidade de um adulto e fazia reflexões sobre as coisas da vida. Para tristeza de todos, acabou morrendo de tétano.
Tomé era o irmão caçula. Havia ainda as irmãs Drelina e Chica e Liovaldo, o mais velho, que morava com o tio Osmundo.
O pai de Miguilim era Nhô Bernardo Caz, que nutria grande ciúme pela esposa, devido à traição com o tio Terêz, que é expulso de casa.
Além de tio Terêz, a mãe tem um caso com Luisaltino, trabalhador da lavoura, assim como o pai. Este, louco de ciúme, mata Luisaltino e enforca-se. Posteriormente, tio Terêz casa-se com a mãe e volta a morar com a família.
Outra personagem que se destaca é a vovó Izidra, magra e que se irrita com tudo.
Miguilim preocupava-se com seu estado de saúde. Achava que ia morrer, pois estava muito magro.
No entanto, ele não morre, mas tem uma revelação que transforma sua vida. Um dia o doutor José Lourenço vem na Vereda do Tipã e põe óculos no menino, percebendo sua dificuldade para enxergar. Ele, então, passa a ver todas as coisas com mais nitidez e encontrar beleza no Mutum, em cada elemento da natureza, em cada pessoa. Descoberta sua miopia, Miguilim descobre-se a si mesmo e admira a grandeza do mundo e sua própria existência.
UMA ESTÓRIA DE AMOR
Novela narrada em terceira pessoa, Uma Estória de Amor tem como protagonista Manuel Jesus Rodrigues, o Manuelzão, administrador de fazenda de gado Samarra. Este velho vaqueiro vivia de um lugar para outro, conduzindo boiada, vindo a fixar-se num só lugar apenas no final da vida.
O personagem realiza uma festa de inauguração de uma capelinha construída a fim de homenagear sua mãe. São mostrados os preparativos, os sertanejos advindos de várias regiões, a chegada do padre e a festa.
A novela valoriza a tradição oral, misturando casos e questionamentos metafísicos, como a busca de Manuelzão pela razão de sua existência.
Várias histórias se intercalam, muitas delas remetendo ao folclore sertanejo.
Manuelzão, aos sessenta anos, vai em busca de seu filho, Adeiço, que se casara e vivia do trabalho na lavoura, ao lado de sua família, diferentemente do pai, mas de modo semelhante ao avô, para desgosto do primeiro.
No final da novela, Manuelzão está prestes a conduzir mais uma boiada, carregando consigo apenas as lembranças da festa e de suas próprias experiências.
In: Manual de literatura: literatura brasileira, literatura portuguesa. LEDO, Teresinha de Oliveira. São Paulo. DCL.2001.Pg.309-311.
Manuelzão e Muguilim, assim como as obras No Urubuquaquá, no Pinhém e Noites do Sertão, inicialmente era parte integrante do livro Corpo de Baile, publicado em 1956.
Compõem a obra duas novelas: “Campo Geral” e “Uma Estória de Amor”.
CAMPO GERAL
Esta novela tem como personagem principal Miguilim, um garoto de oito anos que morava na mata do Mutum com a família.
Dos irmãos, Miguilim era o mais velho. Depois vinha Dito, irmão que tinha a maturidade de um adulto e fazia reflexões sobre as coisas da vida. Para tristeza de todos, acabou morrendo de tétano.
Tomé era o irmão caçula. Havia ainda as irmãs Drelina e Chica e Liovaldo, o mais velho, que morava com o tio Osmundo.
O pai de Miguilim era Nhô Bernardo Caz, que nutria grande ciúme pela esposa, devido à traição com o tio Terêz, que é expulso de casa.
Além de tio Terêz, a mãe tem um caso com Luisaltino, trabalhador da lavoura, assim como o pai. Este, louco de ciúme, mata Luisaltino e enforca-se. Posteriormente, tio Terêz casa-se com a mãe e volta a morar com a família.
Outra personagem que se destaca é a vovó Izidra, magra e que se irrita com tudo.
Miguilim preocupava-se com seu estado de saúde. Achava que ia morrer, pois estava muito magro.
No entanto, ele não morre, mas tem uma revelação que transforma sua vida. Um dia o doutor José Lourenço vem na Vereda do Tipã e põe óculos no menino, percebendo sua dificuldade para enxergar. Ele, então, passa a ver todas as coisas com mais nitidez e encontrar beleza no Mutum, em cada elemento da natureza, em cada pessoa. Descoberta sua miopia, Miguilim descobre-se a si mesmo e admira a grandeza do mundo e sua própria existência.
UMA ESTÓRIA DE AMOR
Novela narrada em terceira pessoa, Uma Estória de Amor tem como protagonista Manuel Jesus Rodrigues, o Manuelzão, administrador de fazenda de gado Samarra. Este velho vaqueiro vivia de um lugar para outro, conduzindo boiada, vindo a fixar-se num só lugar apenas no final da vida.
O personagem realiza uma festa de inauguração de uma capelinha construída a fim de homenagear sua mãe. São mostrados os preparativos, os sertanejos advindos de várias regiões, a chegada do padre e a festa.
A novela valoriza a tradição oral, misturando casos e questionamentos metafísicos, como a busca de Manuelzão pela razão de sua existência.
Várias histórias se intercalam, muitas delas remetendo ao folclore sertanejo.
Manuelzão, aos sessenta anos, vai em busca de seu filho, Adeiço, que se casara e vivia do trabalho na lavoura, ao lado de sua família, diferentemente do pai, mas de modo semelhante ao avô, para desgosto do primeiro.
No final da novela, Manuelzão está prestes a conduzir mais uma boiada, carregando consigo apenas as lembranças da festa e de suas próprias experiências.
In: Manual de literatura: literatura brasileira, literatura portuguesa. LEDO, Teresinha de Oliveira. São Paulo. DCL.2001.Pg.309-311.
terça-feira, 23 de novembro de 2010
Vanguarda Europeia
FUTURISMO
Tendência que mais influenciou a primeira fase do Modernismo. Propunha:
- liberdade de expressão;
- destruição da sintaxe;
- abolição da pontuação;
- uso de símbolos matemáticos e musicais;
- desprezo ao adjetivo e ao advérbio.
Surgiu em 1909, com Marinetti.
EXPRESSIONISMO
Manifestação dos povos nórdicos, germânicos e eslavos. Voltou-se para os produtos artísticos dos primitivos e para as manifestações do mundo interior, expressas no uso aleatório de cores intensas e distorções de formas. Surgiu em em 1911.
Influenciou sobretudo os quadros de Anita Malfatti.
CUBISMO
Segundo essa tendência, as figuras, reduzidas a formas geométricas, apresenta,, ao mesmo tempo, o perfil e a frente, mostrando mais de um ângulo de visão. Nasceu em 1907, com Picasso.
A literatura cubista preocupou-se com a construção física do texto, originando o Concretismo da década de 50.
DADAÍSMO
Negava o presente, o passado, o futuro, e defendia a ideia de que qualquer combinação inusitada promove um efeito estético. Surgiu em 1916, com Tristan Tzara.
SURREALISMO
Caracterizou-se pela busca do homem primitivo através da investigação do mundo do inconsciente e dos sonhos. Esse movimento originou-se em 1924, com André Breton.
Na literatura, o traço fundamental foi a escrita automática. Salvador Dali destacou-se entre os principais surrealistas europeus.
Tendência que mais influenciou a primeira fase do Modernismo. Propunha:
- liberdade de expressão;
- destruição da sintaxe;
- abolição da pontuação;
- uso de símbolos matemáticos e musicais;
- desprezo ao adjetivo e ao advérbio.
Surgiu em 1909, com Marinetti.
EXPRESSIONISMO
Manifestação dos povos nórdicos, germânicos e eslavos. Voltou-se para os produtos artísticos dos primitivos e para as manifestações do mundo interior, expressas no uso aleatório de cores intensas e distorções de formas. Surgiu em em 1911.
Influenciou sobretudo os quadros de Anita Malfatti.
CUBISMO
Segundo essa tendência, as figuras, reduzidas a formas geométricas, apresenta,, ao mesmo tempo, o perfil e a frente, mostrando mais de um ângulo de visão. Nasceu em 1907, com Picasso.
A literatura cubista preocupou-se com a construção física do texto, originando o Concretismo da década de 50.
DADAÍSMO
Negava o presente, o passado, o futuro, e defendia a ideia de que qualquer combinação inusitada promove um efeito estético. Surgiu em 1916, com Tristan Tzara.
SURREALISMO
Caracterizou-se pela busca do homem primitivo através da investigação do mundo do inconsciente e dos sonhos. Esse movimento originou-se em 1924, com André Breton.
Na literatura, o traço fundamental foi a escrita automática. Salvador Dali destacou-se entre os principais surrealistas europeus.
MODERNISMO: Primeira fase
(1922 - 1930)
Também chamada de "heróica", foi a que mais combateu a tradição; marcou-se por intensa produção em poesia, cujas principais características foram:
a) utilização do verso livre;
b) procura de uma língua "brasileira", privilegiando por isso a linguagem coloquial;
c) uso de linguagem telegráfica, condensada;
d) ausência de pontuação;
e) valorização do cotidiano;
f ) uso de paródias com sentido de dessacralizar a tradição;
g) uso do humor (poema-piada);
h) criação de neologismos;
i ) aproximação da linguagem da prosa.
Também chamada de "heróica", foi a que mais combateu a tradição; marcou-se por intensa produção em poesia, cujas principais características foram:
a) utilização do verso livre;
b) procura de uma língua "brasileira", privilegiando por isso a linguagem coloquial;
c) uso de linguagem telegráfica, condensada;
d) ausência de pontuação;
e) valorização do cotidiano;
f ) uso de paródias com sentido de dessacralizar a tradição;
g) uso do humor (poema-piada);
h) criação de neologismos;
i ) aproximação da linguagem da prosa.
MODERNISMO: Segunda Fase
(1930 - 1945)
Contexto Histórico:
- quebra da Bolsa de Nova York (1929);
- estados facistas (Alemanha, Itália, Espanha e Portugal);
- Revolução de 30;
- Estado Novo (ditadura Vargas).
Características:
Poesia
- aproveitou e amadureceu as propostas de 22, eliminando exageros e gratuidades;
- reabilitou algumas formas tradicionais, como o soneto e o verso rimado;
- temática politizada, sem afastar-se das temáticas espirituais e de introspecção.
Prosa
- a "era do romance brasileiro";
- romance regionalista, com um escritor engajado, crítico das relações sociais;
- romance urbano.
Contexto Histórico:
- quebra da Bolsa de Nova York (1929);
- estados facistas (Alemanha, Itália, Espanha e Portugal);
- Revolução de 30;
- Estado Novo (ditadura Vargas).
Características:
Poesia
- aproveitou e amadureceu as propostas de 22, eliminando exageros e gratuidades;
- reabilitou algumas formas tradicionais, como o soneto e o verso rimado;
- temática politizada, sem afastar-se das temáticas espirituais e de introspecção.
Prosa
- a "era do romance brasileiro";
- romance regionalista, com um escritor engajado, crítico das relações sociais;
- romance urbano.
MODERNISMO: Terceira fase
(de 1945 até os dias atuais)
Contexto histórico:
a) no mundo - início da Guerra Fria;
- conflitos localizados em todo o mundo.
b) no Brasil - deposição de Vargas (1945);
- início da redemocratização;
- implantação e incentivo às indústrias automobilística, siderúrgica e mecânica.
Características:
Prosa
- regionalismo (Guimarães Rosa);
- sondagem psicológica (Clarice Lispector);
- tendências atuais = prosa política, urbana, intimista, memorialista.
Poesia
- geração de 45 = neoparnasianos;
- tendências atuais = concretismo, poesia/processo, poesia práxis;
- poesia social;
- poesia marginal.
Contexto histórico:
a) no mundo - início da Guerra Fria;
- conflitos localizados em todo o mundo.
b) no Brasil - deposição de Vargas (1945);
- início da redemocratização;
- implantação e incentivo às indústrias automobilística, siderúrgica e mecânica.
Características:
Prosa
- regionalismo (Guimarães Rosa);
- sondagem psicológica (Clarice Lispector);
- tendências atuais = prosa política, urbana, intimista, memorialista.
Poesia
- geração de 45 = neoparnasianos;
- tendências atuais = concretismo, poesia/processo, poesia práxis;
- poesia social;
- poesia marginal.
segunda-feira, 5 de julho de 2010
Vinícius de Moraes
Ternura
Vinicius de Moraes
Eu te peço perdão por te amar de repente
Embora o meu amor seja uma velha canção nos teus ouvidos
Das horas que passei à sombra dos teus gestos
Bebendo em tua boca o perfume dos sorrisos
Das noites que vivi acalentado
Pela graça indizível dos teus passos eternamente fugindo
Trago a doçura dos que aceitam melancolicamente.
E posso te dizer que o grande afeto que te deixo
Não traz o exaspero das lágrimas nem a fascinação das promessas
Nem as misteriosas palavras dos véus da alma...
É um sossego, uma unção, um transbordamento de carícias
E só te pede que te repouses quieta, muito quieta
E deixes que as mãos cálidas da noite encontrem sem fatalidade o olhar extático da aurora.
Texto extraído da antologia "Vinicius de Moraes - Poesia completa e prosa", Editora Nova Aguilar - Rio de Janeiro, 1998, pág. 259.
Vinicius de Moraes
Eu te peço perdão por te amar de repente
Embora o meu amor seja uma velha canção nos teus ouvidos
Das horas que passei à sombra dos teus gestos
Bebendo em tua boca o perfume dos sorrisos
Das noites que vivi acalentado
Pela graça indizível dos teus passos eternamente fugindo
Trago a doçura dos que aceitam melancolicamente.
E posso te dizer que o grande afeto que te deixo
Não traz o exaspero das lágrimas nem a fascinação das promessas
Nem as misteriosas palavras dos véus da alma...
É um sossego, uma unção, um transbordamento de carícias
E só te pede que te repouses quieta, muito quieta
E deixes que as mãos cálidas da noite encontrem sem fatalidade o olhar extático da aurora.
Texto extraído da antologia "Vinicius de Moraes - Poesia completa e prosa", Editora Nova Aguilar - Rio de Janeiro, 1998, pág. 259.
sexta-feira, 14 de maio de 2010
O Pagador de Promessas - Resumo

Encenada pela primeira vez a 29 de julho de 1960, no Teatro Brasileiro de Comédia (São Paulo), essa peça marca o início da segunda fase do teatro de Dias Gomes e sua consagração como um dos mais destacados dramaturgos contemporâneos do Brasil. Considerada por Anatol Rosenfeld como uma tragédia, no sentido clássico do termo, O Pagador de Promessas, segundo o próprio Dias Gomes, “é a história de um homem que não quis conceder - e foi destruído”.
A peça é dividida em três atos, sendo que os dois primeiros ainda são subdivididos em dois quadros cada um. Após a apresentação dos personagens, o primeiro ato mostra a chegada do protagonista Zé do Burro e sua mulher Rosa, vindos do interior, a uma igreja de Salvador e termina com a negativa do padre em permitir o cumprimento da promessa feita. O segundo ato traz o aparecimento de diversos novos personagens, todos envolvidos na questão do cumprimento ou não da promessa e vai até uma nova negativa do padre, o que ocasiona, dessa vez, explosão colérica em Zé do Burro. O terceiro ato é quando as ações recrudescem, as incompreensões vão ao limite e se verifica o dramático desfecho.
Primeiro ato.
Primeiro quadro.
A ação da peça tem início nas primeiras horas da manhã (4 e meia), numa praça, em frente a uma igreja, em Salvador. O personagem denominado Zé do Burro carrega uma cruz e se aloja na frente da igreja. A seu lado Rosa, sua mulher, apresentada como tendo "sangue quente" e insatisfação sexual. Zé espera a igreja abrir para cumprir sua promessa, feita a Santa Bárbara. Aparecem no lugar, algum tempo depois, Marli e Bonitão: ela prostituta; ele, gigolô. Há uma clara relação de exploração e dependência entre eles. Encontrando Zé, Bonitão dirige-se a ele e percebe ser alguém ingênuo. Rosa, por sua vez, conversando com o gigolô, queixa-se de Zé, contando que ele, na sua promessa, dividiu suas terras com lavradores pobres. Percebendo a ingenuidade, Bonitão propõe-se a providenciar um local para Rosa descansar. Zé não só aceita, como incentiva. Saem os dois, Bonitão e Rosa, de cena.
Segundo quadro.
Aos poucos, começa o movimento ao redor da praça. Aparecem a Beata, o sacristão e o Padre Olavo, titular da igreja. Zé explica a promessa: Nicolau foi ferido com a queda de uma árvore; estando para morrer, Zé fez a promessa. O burro - Nicolau é um burro! - salva-se. Ingenuamente, Zé revela ter usado as rezas de Preto Zeferino e feito a promessa num terreiro de candomblé, a Iansã, equivalente africana de Santa Bárbara. O padre fica escandalizado. Estabelece-se o conflito. O sincretismo Iansã - Santa Bárbara, natural para Zé do Burro, é um grandioso pecado para o padre. A situação agrava-se com a revelação da divisão de terras. Impasse. O padre manda fechar a igreja e proíbe o cumprimento da promessa. Zé do Burro fica atônico.
Segundo ato.
Primeiro quadro.
Duas horas mais tarde, a movimentação no lugar é intensa. Galego, dono do bar, abriu seu estabelecimento. Surgem Minha Tia, vendedora de acarajés, carurus e outras comidas típicas; Dedé Cospe-Rima, poeta popular, ao estilo repentista; o Guarda. Zé do Burro quer cumprir a promessa. O Guarda tenta intervir. Rosa reaparece com "ar culpado". Chega o Repórter. Seguindo a linha do oportunismo sensacionalista, o repórter quer tirar vantagens da história de Zé do Burro. Quer torná-lo um mártir, para virar notícia. Enquanto isso, descobre-se que Rosa transou com Bonitão. Marli faz um pequeno escândalo, denunciando a história Rosa-Bonitão.
Segundo quadro.
Três da tarde, Dedé oferece poemas para Zé, a fim de derrotar o Padre. Aparecem, em momentos subsequentes, o capoeirista Mestre Coca e o policial, o Secreta, chamado por Bonitão, ficando ambos, por enquanto, nas cercanias. Zé começa a perder a paciência e arma uma gritaria. O padre reage. Chega o Monsenhor, autoridade da Igreja, propondo a Zé uma solução: ele, Monsenhor, na qualidade de representante da Igreja, pode liberar Zé da promessa, dando-a por cumprida. Zé não aceita, dizendo que promessa foi feita à Santa e só ela poderia liberá-lo. Segue o impasse. Zé explode novamente e avança com a cruz sobre a Igreja. O padre fecha a porta. Zé, já desesperado, bate com a cruz na porta. O drama é total.
Terceiro ato.
Entardecer. Muita gente na praça e nos arredores da igreja. Há uma roda de capoeira. O Galego, oportunista, oferece comida grátis a Zé, pois a história está trazendo movimento ao seu bar. O Secreta, no bar, avisa que a polícia prenderá Zé, ameaçando os capoeiristas, caso eles interfiram. Marli volta. Ofende Rosa, ofende Zé. O protagonista parece mudar de atitude. Resolve ir embora "à noite". Rosa quer ir embora já. Conta que Bonitão avisou à polícia. Retorna o repórter, que tenta montar um verdadeiro circo em torno do Zé, com o objetivo de vender o jornal. Chega Bonitão e convida Rosa para ir com ele. Zé pede a ela para ficar. Rosa hesita, a princípio, mas, em seguida, vai com Bonitão. Mestre Coca avisa Zé sobre a chegada da polícia. Zé está perplexo: "Santa Bárbara me abandonou". Da igreja saem o Sacristão, o Guarda, o Padre e o Delegado. A tensão da cena acentua-se. Zé ainda tenta, ingênua e inutilmente, explicar alguma coisa. Ao ser cercado, puxa uma faca. As autoridades reagem. Os capoeiristas também. Briga e confusão. De repente, um tiro espalha gente para todos os lados. Zé é mortalmente ferido. Mestre Coca olha para os companheiros, que entendem a mensagem. Os capoeiristas tomam o corpo do Zé colocam-no sobre a cruz e, ignorando padre e polícia, entram na igreja, carregando a cruz.
Obtido dá página do Universitário (http://www.universitário.com.br/)
A peça é dividida em três atos, sendo que os dois primeiros ainda são subdivididos em dois quadros cada um. Após a apresentação dos personagens, o primeiro ato mostra a chegada do protagonista Zé do Burro e sua mulher Rosa, vindos do interior, a uma igreja de Salvador e termina com a negativa do padre em permitir o cumprimento da promessa feita. O segundo ato traz o aparecimento de diversos novos personagens, todos envolvidos na questão do cumprimento ou não da promessa e vai até uma nova negativa do padre, o que ocasiona, dessa vez, explosão colérica em Zé do Burro. O terceiro ato é quando as ações recrudescem, as incompreensões vão ao limite e se verifica o dramático desfecho.
Primeiro ato.
Primeiro quadro.
A ação da peça tem início nas primeiras horas da manhã (4 e meia), numa praça, em frente a uma igreja, em Salvador. O personagem denominado Zé do Burro carrega uma cruz e se aloja na frente da igreja. A seu lado Rosa, sua mulher, apresentada como tendo "sangue quente" e insatisfação sexual. Zé espera a igreja abrir para cumprir sua promessa, feita a Santa Bárbara. Aparecem no lugar, algum tempo depois, Marli e Bonitão: ela prostituta; ele, gigolô. Há uma clara relação de exploração e dependência entre eles. Encontrando Zé, Bonitão dirige-se a ele e percebe ser alguém ingênuo. Rosa, por sua vez, conversando com o gigolô, queixa-se de Zé, contando que ele, na sua promessa, dividiu suas terras com lavradores pobres. Percebendo a ingenuidade, Bonitão propõe-se a providenciar um local para Rosa descansar. Zé não só aceita, como incentiva. Saem os dois, Bonitão e Rosa, de cena.
Segundo quadro.
Aos poucos, começa o movimento ao redor da praça. Aparecem a Beata, o sacristão e o Padre Olavo, titular da igreja. Zé explica a promessa: Nicolau foi ferido com a queda de uma árvore; estando para morrer, Zé fez a promessa. O burro - Nicolau é um burro! - salva-se. Ingenuamente, Zé revela ter usado as rezas de Preto Zeferino e feito a promessa num terreiro de candomblé, a Iansã, equivalente africana de Santa Bárbara. O padre fica escandalizado. Estabelece-se o conflito. O sincretismo Iansã - Santa Bárbara, natural para Zé do Burro, é um grandioso pecado para o padre. A situação agrava-se com a revelação da divisão de terras. Impasse. O padre manda fechar a igreja e proíbe o cumprimento da promessa. Zé do Burro fica atônico.
Segundo ato.
Primeiro quadro.
Duas horas mais tarde, a movimentação no lugar é intensa. Galego, dono do bar, abriu seu estabelecimento. Surgem Minha Tia, vendedora de acarajés, carurus e outras comidas típicas; Dedé Cospe-Rima, poeta popular, ao estilo repentista; o Guarda. Zé do Burro quer cumprir a promessa. O Guarda tenta intervir. Rosa reaparece com "ar culpado". Chega o Repórter. Seguindo a linha do oportunismo sensacionalista, o repórter quer tirar vantagens da história de Zé do Burro. Quer torná-lo um mártir, para virar notícia. Enquanto isso, descobre-se que Rosa transou com Bonitão. Marli faz um pequeno escândalo, denunciando a história Rosa-Bonitão.
Segundo quadro.
Três da tarde, Dedé oferece poemas para Zé, a fim de derrotar o Padre. Aparecem, em momentos subsequentes, o capoeirista Mestre Coca e o policial, o Secreta, chamado por Bonitão, ficando ambos, por enquanto, nas cercanias. Zé começa a perder a paciência e arma uma gritaria. O padre reage. Chega o Monsenhor, autoridade da Igreja, propondo a Zé uma solução: ele, Monsenhor, na qualidade de representante da Igreja, pode liberar Zé da promessa, dando-a por cumprida. Zé não aceita, dizendo que promessa foi feita à Santa e só ela poderia liberá-lo. Segue o impasse. Zé explode novamente e avança com a cruz sobre a Igreja. O padre fecha a porta. Zé, já desesperado, bate com a cruz na porta. O drama é total.
Terceiro ato.
Entardecer. Muita gente na praça e nos arredores da igreja. Há uma roda de capoeira. O Galego, oportunista, oferece comida grátis a Zé, pois a história está trazendo movimento ao seu bar. O Secreta, no bar, avisa que a polícia prenderá Zé, ameaçando os capoeiristas, caso eles interfiram. Marli volta. Ofende Rosa, ofende Zé. O protagonista parece mudar de atitude. Resolve ir embora "à noite". Rosa quer ir embora já. Conta que Bonitão avisou à polícia. Retorna o repórter, que tenta montar um verdadeiro circo em torno do Zé, com o objetivo de vender o jornal. Chega Bonitão e convida Rosa para ir com ele. Zé pede a ela para ficar. Rosa hesita, a princípio, mas, em seguida, vai com Bonitão. Mestre Coca avisa Zé sobre a chegada da polícia. Zé está perplexo: "Santa Bárbara me abandonou". Da igreja saem o Sacristão, o Guarda, o Padre e o Delegado. A tensão da cena acentua-se. Zé ainda tenta, ingênua e inutilmente, explicar alguma coisa. Ao ser cercado, puxa uma faca. As autoridades reagem. Os capoeiristas também. Briga e confusão. De repente, um tiro espalha gente para todos os lados. Zé é mortalmente ferido. Mestre Coca olha para os companheiros, que entendem a mensagem. Os capoeiristas tomam o corpo do Zé colocam-no sobre a cruz e, ignorando padre e polícia, entram na igreja, carregando a cruz.
Obtido dá página do Universitário (http://www.universitário.com.br/)
domingo, 8 de novembro de 2009
João Guimaraes Rosa
Obras principais:
Sagarana (contos, 1946); Corpo de baile (Manuelzão e Miguilim; No Urubuquaquá, do Pinhém; Noites do sertão; novelas, 1956); Grande sertão: veredas (romance, 1956); Primeiras estórias (contos, 1962); Tutaméia (contos, 1967); Estas estórias (contos, 1969).
Caraterísticas básicas:
- A primeira grande inovação do autor é da linguagem, cheia de arcaísmos, neologismos, onomatopéias, inversões, novas construções sintáticas, etc., e que poderia ser resumida assim:
Linguajar sertanejo + Recriação estilística = Linguagem revolucionária
Observe o início de Grande sertão: veredas:
Nonada. Tiros que o senhor ouviu foram de briga de homem, não, Deus, esteja. Alvejei mira em árvore, no quintal, no baixo do córrego. Por meu acerto. Todo dia isso faço; gosto, desde mal em minha mocidade. Daí, vieram me chamar. Causa dum bezerro: um bezerro branco, erroso, os olhos de nem ser-se viu e com máscara de cachorro.
- O mundo retratado em suas ficções é o do sertão mineiro, um mundo imobilizado no tempo, sem vínculos com o litoral modernizado do país e cuja principal traço é a consciência mítica dos protagonistas. Esta consciência mágica explica o mundo pelo sagrado e pelo fantástico. Assim, os fenômenos naturais indicam sinais de potências misteriosas e inexplicáveis. À medida que a modernidade urbana /capitalista avança, o mítico tende a ser dissolvido.
- A presença do demônio em Grande sertão: veredas faz com que a narrativa se insira na categoria do realismo mágico.
- Alguns contos de Guimarães Rosa são célebres. Entre eles, figuram: A hora e a vez de Augusto Matraga e O burrinho pedrês, de Sagarana; e A terceira margem do rio, de Primeiras estórias.
Grande sertão: veredas
- A temática da "jagunçagem" e a prosa inovadora atingiriam o seu apogeu neste romanace, que se estrutura no jogo dialético do presente e do passado. Assim:
Plano presente:
O ex-jagunço e, hoje fazendeiro, Riobaldo narra a história de sua vida para um "doutor" da cidade. O "doutor" nada declara durante o discurso de Riobaldo, que assim se converte em monólogo. Ao lado das reminiscências, Riobaldo formula uma série de interrogações sobre o sentido da existência, a luta do Bem x Mal, a presença real ou fictícia do demônio, etc.
Plano passado:
Focaliza as experiências de Riobaldo como jagunço, quando realiza sua longa travessia pelo sertão mineiro. Uma travessia exterior por um sertão objetivo, geográfica e historicamente falando. Numa espécie de "banalidade do mal", os bandos armados se exterminam a serviço dos grandes latifundiários. Mas como o "sertão está em toda a parte, o sertão está dentro da gente", essa travessia torna-se interior, levando Riobaldo ao autoconhecimento. A percepção de si mesmo surge do contato com outros homens, em especial da dupla polarizada Diadorim-Hermógenes. O primeiro, mulher camuflada de homem, deflagrará no narrador o processo amoroso. O segundo – força demoníaca - representará o ódio, o sangue e a perfídia.
A obra de João Guimarães Rosa – embora centrada no mundo sertanejo mineiro – ultrapassa pela linguagem revolucionária e pela indagação a respeito da questões fundamentais do homem (amor, sentido da vida e da morte, mito e razão, etc.) os parâmetros do regionalismo, permanecendo como uma obra de valor universal.
http://educaterra.terra.com.br/literatura/em maio 2006.
Sagarana (contos, 1946); Corpo de baile (Manuelzão e Miguilim; No Urubuquaquá, do Pinhém; Noites do sertão; novelas, 1956); Grande sertão: veredas (romance, 1956); Primeiras estórias (contos, 1962); Tutaméia (contos, 1967); Estas estórias (contos, 1969).
Caraterísticas básicas:
- A primeira grande inovação do autor é da linguagem, cheia de arcaísmos, neologismos, onomatopéias, inversões, novas construções sintáticas, etc., e que poderia ser resumida assim:
Linguajar sertanejo + Recriação estilística = Linguagem revolucionária
Observe o início de Grande sertão: veredas:
Nonada. Tiros que o senhor ouviu foram de briga de homem, não, Deus, esteja. Alvejei mira em árvore, no quintal, no baixo do córrego. Por meu acerto. Todo dia isso faço; gosto, desde mal em minha mocidade. Daí, vieram me chamar. Causa dum bezerro: um bezerro branco, erroso, os olhos de nem ser-se viu e com máscara de cachorro.
- O mundo retratado em suas ficções é o do sertão mineiro, um mundo imobilizado no tempo, sem vínculos com o litoral modernizado do país e cuja principal traço é a consciência mítica dos protagonistas. Esta consciência mágica explica o mundo pelo sagrado e pelo fantástico. Assim, os fenômenos naturais indicam sinais de potências misteriosas e inexplicáveis. À medida que a modernidade urbana /capitalista avança, o mítico tende a ser dissolvido.
- A presença do demônio em Grande sertão: veredas faz com que a narrativa se insira na categoria do realismo mágico.
- Alguns contos de Guimarães Rosa são célebres. Entre eles, figuram: A hora e a vez de Augusto Matraga e O burrinho pedrês, de Sagarana; e A terceira margem do rio, de Primeiras estórias.
Grande sertão: veredas
- A temática da "jagunçagem" e a prosa inovadora atingiriam o seu apogeu neste romanace, que se estrutura no jogo dialético do presente e do passado. Assim:
Plano presente:
O ex-jagunço e, hoje fazendeiro, Riobaldo narra a história de sua vida para um "doutor" da cidade. O "doutor" nada declara durante o discurso de Riobaldo, que assim se converte em monólogo. Ao lado das reminiscências, Riobaldo formula uma série de interrogações sobre o sentido da existência, a luta do Bem x Mal, a presença real ou fictícia do demônio, etc.
Plano passado:
Focaliza as experiências de Riobaldo como jagunço, quando realiza sua longa travessia pelo sertão mineiro. Uma travessia exterior por um sertão objetivo, geográfica e historicamente falando. Numa espécie de "banalidade do mal", os bandos armados se exterminam a serviço dos grandes latifundiários. Mas como o "sertão está em toda a parte, o sertão está dentro da gente", essa travessia torna-se interior, levando Riobaldo ao autoconhecimento. A percepção de si mesmo surge do contato com outros homens, em especial da dupla polarizada Diadorim-Hermógenes. O primeiro, mulher camuflada de homem, deflagrará no narrador o processo amoroso. O segundo – força demoníaca - representará o ódio, o sangue e a perfídia.
A obra de João Guimarães Rosa – embora centrada no mundo sertanejo mineiro – ultrapassa pela linguagem revolucionária e pela indagação a respeito da questões fundamentais do homem (amor, sentido da vida e da morte, mito e razão, etc.) os parâmetros do regionalismo, permanecendo como uma obra de valor universal.
http://educaterra.terra.com.br/literatura/em maio 2006.
domingo, 4 de outubro de 2009
Lygia Fagundes Telles - Antes do baile verde

Resumo
1. Os objetos é o primeiro conto e narra o diálogo entre o marido e sua mulher sobre os objetos comprados, os seus valores e suas representações. Como o peso de papel que só tem função se está sobre papéis e um anjinho que só tem valor quando tocado, pois ganha vida.
2. Verde lagarto amarelo fala sobre dois irmãos, o mais velho e o caçula Rodolfo. O mais novo sempre foi o preferido da mãe, e o mais velho vivia a serviço do querer dele por intervenção da mãe. O mais velho sempre mais calado e quieto cresceu e vivia sozinho; a única coisa que sentia ter como sua era a escrita, ele era escritor. Já Rodolfo era casado, animado. Foi numa visita que fez ao irmão que lhe declarou também ter escrito um romance, roubando assim a única coisa pertencente ao irmão mais velho.
3. Apenas um saxofone é a história de uma mulher velha e rica. Tinha um homem rico que a sustentava, um jovem que lhe satisfazia e um professor espiritual com quem dormia. Possuía jóias, tapetes e uma mansão, no entanto vivia infeliz. Vivia na saudade do seu grande amor, um saxofonista que se dedicara a ela completamente, ela era a música dele. Ele tocava com paixão o saxofone e assim mantinha a mulher. Mas a relação se desgastou a ponto dele ir embora enojado. E assim ela vivia só com a lembrança.
4. Helga fala de um jovem do sul do Brasil que vivia em férias na Alemanha, logo assumindo uma vida alemã. Em uma das férias passou pela guerra, não seria mais aceito no Brasil. Vivia ali de uma espécie de tráfico de alimentos. Foi lá que conheceu Helga, uma alemã por quem se apaixonou, ela tinha uma cara perna ortopédica. Chegou a noivar, o pai dela propôs que iniciassem o tráfico de penicilina, mas faltava o investimento inicial. Foi assim que ele casado com Helga roubou-lhe a perna ortopédica e desapareceu voltando, tempos depois, rico para o Brasil.
5. O moço do saxofone narra a história de um chofer de caminhão que se instalou em uma pensão. Nela viviam inúmeros anões e uma mulher com seu marido que era saxofonista, um homem traído e conformado. Na pensão havia quartos separados, quando a esposa estava com outro homem o marido tocava o saxofone de uma forma deprimente, isso incomodava de mais o chofer. Quando ele se encontrou com a mulher do saxofonista marcaram um encontro. Ela explicou qual era a porta, no entanto quando ele chegou teve com o saxofonista, conformado como era indicou a direção e ao ser questionado do por que não fazia nada afirmou que tocava o saxofone. Com isso o chofer partiu da pensão.
6. Antes do baile verde narra a preparação da jovem Tatisa para o carnaval. Com ajuda da sua empregada pregavam, nos últimos minutos, as lantejoulas na saia da moça, nesse momento a empregada se inquietava, pois iria se atrasar para o encontro com seu homem e também discutiam o fato de que o pai de Tatisa vivia seus últimos minutos. Ainda antes de sair, a menina duvidosa da proximidade da morte do pai, desejava ir ao baile. Assim, as duas saíram à porta deixando o pai de Tatisa desfalecendo.
7. A caçada fala de um homem que visitando uma loja de antigüidades encontra uma tapeçaria velha onde encontra alguma lembrança que não reconhece. Torna-se preso à imagem e se sente como personagem da caçada que ela ilustrava. Passou a ir à loja com freqüência para observar a peça e foi na frente dela que teve um ataque cardíaco.
8. A chave fala de um casamento saturado, onde Tom e sua mulher se arrumam para um jantar, enquanto ele insatisfeito reclama e pensa na inutilidade desses jantares e no quanto gostaria de ficar ali dormindo.
9. Meia noite em ponto em Xangai narra a noite de uma cantora que alcança o momento de brilho de sua carreira em um concerto na China. Recebe em casa, depois do show, seu empresário e conversam sobre a carreira dela e sobre a desumanidade dos empregados dali. Porém, depois que o empresário se vai a cantora junta a seu cachorrinho e se aterrorizam com a escuridão e com a suposta presença do empregado no aposento.
10. A janela narra a conversa entre um homem e uma mulher. O homem chega ao quarto da mulher, se aproxima da janela dizendo que seu filho morrera ali e que na janela havia uma roseira que seu filho amava. A mulher o questiona, mas ele pouco responde, preso à lembrança do filho. A mulher então lhe oferece um refresco ao que ele aceita, mas quando ela retorna ao quarto vem acompanhada de médicos, ele lhe pergunta o motivo e sem necessidade da camisa de força os médicos o levam embora.
11. Um chá bem forte e três xícaras fala da espera de uma mulher, enquanto observa uma nova borboleta em uma rosa, por sua convidada ao chá, uma jovem de 18 anos que trabalha com seu marido. A empregada que está com ela pergunta se tal moça é a que liga atrás do patrão e ela afirma que sim. Depois, limpando as lágrimas, a mulher caminha até o portão para receber a jovem que vem chegando, enquanto a empregada vai buscar o chá e três xícaras, caso o patrão venha também.
12. O jardim selvagem fala sobre o chamado Tio Ed casado com Daniela, um jardim selvagem. A princípio, em confidência com a sobrinha, a Tia Pombinha, irmã de Ed, desaprova o casamento, dizendo que Daniela vive constantemente com uma luva em uma das mãos a qual ninguém vê. No entanto, depois de conhecê-la a acha um amor. Depois de um tempo a empregada da casa conta à sobrinha de Ed que viu Daniela matar o cachorro da casa com um tiro na cabeça, essa afirmava que só lhe poupou da dor que a doença lhe causava. Por isso, a empregada havia pedido até demissão. Dias depois chegou a notícia que Ed estava doente e, mais tarde, que ele se matara com um tiro na cabeça.
13. Natal na barca narra o diálogo de uma senhora com uma mulher em uma barca que cruza o rio no dia de natal. A mulher trás no colo o filho doente a quem está levando ao médico, durante a viagem ela conta a senhora de como perdeu o filho mais novo quando ele pulou do muro intencionando voar e como o marido a abandonou mandando uma carta depois. A senhora, sem saber o que dizer, arruma a manta do bebê e percebe que ele estava morto, nesse ponto a embarcação chega e ela se precipita pra descer não querendo ver a dor da mulher. Porém, assim que descem o bebê acorda e a senhora vê a mãe e a criança partirem.
14. A ceia trata da despedida de dois amantes em um restaurante. A mulher desesperada e apaixonada tristemente suplica para que o homem a visite, mas ele afirma que acabou. No entanto, diz que foi bom durante todo o tempo e não quer romper como inimigos. Ela assume um ar sarcástico e o questiona sobre a noiva, depois lhe pede que vá embora, partindo sozinha.
15. Venha ver o pôr-do-sol fala da história de um casal que depois de um tempo que já haviam rompido o relacionamento, devido às súplicas do homem se reencontram. Ricardo marca um encontro no cemitério, Raquel vai relutante e assim conversando ele a conduz até o jazigo que dizia ser de sua família. Ele a leva até lá a fim de mostrar, no túmulo, a fotografia da sua prima que tinha olhos parecidíssimos com os de Raquel. Quando entra no jazigo Raquel vê que a data da morte da moça era muito antiga para ter sido prima de Ricardo, mas a esse ponto ele já havia fechado o jazigo, trancou até a fechadura e depois foi embora, enquanto crianças brincavam na rua.
16. Eu era mudo e só fala sobre um homem oprimido pelo casamento que o afastou dos amigos. A mulher, criada na perfeita educação das aparências, também passa isso para a filha Gisela. Ele abandonara o jornalismo e se tornara sócio do sogro no ramo de máquinas agrícolas apenas para manter o padrão que Fernanda exigia.
17. Pérolas fala sobre Tomás e Lavínia, que são casados. Ela se prepara para uma reunião e ele sentado observando-a se arrumar já imagina o que acontecerá na reunião, vê a mulher com Roberto na sacada, próximos, sem palavras, mas sabendo que se amam. Ele fica incentivando-a a ir. Quando ela procura o colar de pérolas, para finalmente ir para a reunião, não o encontra. Ele o escondera para diminuir a realidade do que aconteceria na sacada, mas quando ela estava na calçada ele diz achar o colar e o entrega a Lavínia.
18. Menino narra a ida do menino e sua mãe ao cinema. Enquanto caminham ele vai orgulhoso por causa beleza da mãe. Quando chegam ao cinema, ela, que caminhara apressada na rua, se demora na porta do cinema e manda o menino comprar doces. Finalmente entram na sala e passam por muitos acentos com vaga para duas pessoas até que chegam a um com lugar para três. O filme começa e o menino reclama da enorme cabeça na sua frente, ele tenta mudar de lugar, mas a mãe não deixa, até que se senta na cadeira vaga um homem. Depois de alguns momentos a cabeça que o atrapalhava sai do acento e nessa hora ele vê a mãe de mãos dadas ao estranho do lado. Daí para frente a imagem da mão branca da mãe e da mão morena do homem o perturba. Pouco antes do fim do filme o homem parte. Ele e a mãe vão embora, ela alegremente. Chegando a casa encontram o pai e o menino então chora.
1. Os objetos é o primeiro conto e narra o diálogo entre o marido e sua mulher sobre os objetos comprados, os seus valores e suas representações. Como o peso de papel que só tem função se está sobre papéis e um anjinho que só tem valor quando tocado, pois ganha vida.
2. Verde lagarto amarelo fala sobre dois irmãos, o mais velho e o caçula Rodolfo. O mais novo sempre foi o preferido da mãe, e o mais velho vivia a serviço do querer dele por intervenção da mãe. O mais velho sempre mais calado e quieto cresceu e vivia sozinho; a única coisa que sentia ter como sua era a escrita, ele era escritor. Já Rodolfo era casado, animado. Foi numa visita que fez ao irmão que lhe declarou também ter escrito um romance, roubando assim a única coisa pertencente ao irmão mais velho.
3. Apenas um saxofone é a história de uma mulher velha e rica. Tinha um homem rico que a sustentava, um jovem que lhe satisfazia e um professor espiritual com quem dormia. Possuía jóias, tapetes e uma mansão, no entanto vivia infeliz. Vivia na saudade do seu grande amor, um saxofonista que se dedicara a ela completamente, ela era a música dele. Ele tocava com paixão o saxofone e assim mantinha a mulher. Mas a relação se desgastou a ponto dele ir embora enojado. E assim ela vivia só com a lembrança.
4. Helga fala de um jovem do sul do Brasil que vivia em férias na Alemanha, logo assumindo uma vida alemã. Em uma das férias passou pela guerra, não seria mais aceito no Brasil. Vivia ali de uma espécie de tráfico de alimentos. Foi lá que conheceu Helga, uma alemã por quem se apaixonou, ela tinha uma cara perna ortopédica. Chegou a noivar, o pai dela propôs que iniciassem o tráfico de penicilina, mas faltava o investimento inicial. Foi assim que ele casado com Helga roubou-lhe a perna ortopédica e desapareceu voltando, tempos depois, rico para o Brasil.
5. O moço do saxofone narra a história de um chofer de caminhão que se instalou em uma pensão. Nela viviam inúmeros anões e uma mulher com seu marido que era saxofonista, um homem traído e conformado. Na pensão havia quartos separados, quando a esposa estava com outro homem o marido tocava o saxofone de uma forma deprimente, isso incomodava de mais o chofer. Quando ele se encontrou com a mulher do saxofonista marcaram um encontro. Ela explicou qual era a porta, no entanto quando ele chegou teve com o saxofonista, conformado como era indicou a direção e ao ser questionado do por que não fazia nada afirmou que tocava o saxofone. Com isso o chofer partiu da pensão.
6. Antes do baile verde narra a preparação da jovem Tatisa para o carnaval. Com ajuda da sua empregada pregavam, nos últimos minutos, as lantejoulas na saia da moça, nesse momento a empregada se inquietava, pois iria se atrasar para o encontro com seu homem e também discutiam o fato de que o pai de Tatisa vivia seus últimos minutos. Ainda antes de sair, a menina duvidosa da proximidade da morte do pai, desejava ir ao baile. Assim, as duas saíram à porta deixando o pai de Tatisa desfalecendo.
7. A caçada fala de um homem que visitando uma loja de antigüidades encontra uma tapeçaria velha onde encontra alguma lembrança que não reconhece. Torna-se preso à imagem e se sente como personagem da caçada que ela ilustrava. Passou a ir à loja com freqüência para observar a peça e foi na frente dela que teve um ataque cardíaco.
8. A chave fala de um casamento saturado, onde Tom e sua mulher se arrumam para um jantar, enquanto ele insatisfeito reclama e pensa na inutilidade desses jantares e no quanto gostaria de ficar ali dormindo.
9. Meia noite em ponto em Xangai narra a noite de uma cantora que alcança o momento de brilho de sua carreira em um concerto na China. Recebe em casa, depois do show, seu empresário e conversam sobre a carreira dela e sobre a desumanidade dos empregados dali. Porém, depois que o empresário se vai a cantora junta a seu cachorrinho e se aterrorizam com a escuridão e com a suposta presença do empregado no aposento.
10. A janela narra a conversa entre um homem e uma mulher. O homem chega ao quarto da mulher, se aproxima da janela dizendo que seu filho morrera ali e que na janela havia uma roseira que seu filho amava. A mulher o questiona, mas ele pouco responde, preso à lembrança do filho. A mulher então lhe oferece um refresco ao que ele aceita, mas quando ela retorna ao quarto vem acompanhada de médicos, ele lhe pergunta o motivo e sem necessidade da camisa de força os médicos o levam embora.
11. Um chá bem forte e três xícaras fala da espera de uma mulher, enquanto observa uma nova borboleta em uma rosa, por sua convidada ao chá, uma jovem de 18 anos que trabalha com seu marido. A empregada que está com ela pergunta se tal moça é a que liga atrás do patrão e ela afirma que sim. Depois, limpando as lágrimas, a mulher caminha até o portão para receber a jovem que vem chegando, enquanto a empregada vai buscar o chá e três xícaras, caso o patrão venha também.
12. O jardim selvagem fala sobre o chamado Tio Ed casado com Daniela, um jardim selvagem. A princípio, em confidência com a sobrinha, a Tia Pombinha, irmã de Ed, desaprova o casamento, dizendo que Daniela vive constantemente com uma luva em uma das mãos a qual ninguém vê. No entanto, depois de conhecê-la a acha um amor. Depois de um tempo a empregada da casa conta à sobrinha de Ed que viu Daniela matar o cachorro da casa com um tiro na cabeça, essa afirmava que só lhe poupou da dor que a doença lhe causava. Por isso, a empregada havia pedido até demissão. Dias depois chegou a notícia que Ed estava doente e, mais tarde, que ele se matara com um tiro na cabeça.
13. Natal na barca narra o diálogo de uma senhora com uma mulher em uma barca que cruza o rio no dia de natal. A mulher trás no colo o filho doente a quem está levando ao médico, durante a viagem ela conta a senhora de como perdeu o filho mais novo quando ele pulou do muro intencionando voar e como o marido a abandonou mandando uma carta depois. A senhora, sem saber o que dizer, arruma a manta do bebê e percebe que ele estava morto, nesse ponto a embarcação chega e ela se precipita pra descer não querendo ver a dor da mulher. Porém, assim que descem o bebê acorda e a senhora vê a mãe e a criança partirem.
14. A ceia trata da despedida de dois amantes em um restaurante. A mulher desesperada e apaixonada tristemente suplica para que o homem a visite, mas ele afirma que acabou. No entanto, diz que foi bom durante todo o tempo e não quer romper como inimigos. Ela assume um ar sarcástico e o questiona sobre a noiva, depois lhe pede que vá embora, partindo sozinha.
15. Venha ver o pôr-do-sol fala da história de um casal que depois de um tempo que já haviam rompido o relacionamento, devido às súplicas do homem se reencontram. Ricardo marca um encontro no cemitério, Raquel vai relutante e assim conversando ele a conduz até o jazigo que dizia ser de sua família. Ele a leva até lá a fim de mostrar, no túmulo, a fotografia da sua prima que tinha olhos parecidíssimos com os de Raquel. Quando entra no jazigo Raquel vê que a data da morte da moça era muito antiga para ter sido prima de Ricardo, mas a esse ponto ele já havia fechado o jazigo, trancou até a fechadura e depois foi embora, enquanto crianças brincavam na rua.
16. Eu era mudo e só fala sobre um homem oprimido pelo casamento que o afastou dos amigos. A mulher, criada na perfeita educação das aparências, também passa isso para a filha Gisela. Ele abandonara o jornalismo e se tornara sócio do sogro no ramo de máquinas agrícolas apenas para manter o padrão que Fernanda exigia.
17. Pérolas fala sobre Tomás e Lavínia, que são casados. Ela se prepara para uma reunião e ele sentado observando-a se arrumar já imagina o que acontecerá na reunião, vê a mulher com Roberto na sacada, próximos, sem palavras, mas sabendo que se amam. Ele fica incentivando-a a ir. Quando ela procura o colar de pérolas, para finalmente ir para a reunião, não o encontra. Ele o escondera para diminuir a realidade do que aconteceria na sacada, mas quando ela estava na calçada ele diz achar o colar e o entrega a Lavínia.
18. Menino narra a ida do menino e sua mãe ao cinema. Enquanto caminham ele vai orgulhoso por causa beleza da mãe. Quando chegam ao cinema, ela, que caminhara apressada na rua, se demora na porta do cinema e manda o menino comprar doces. Finalmente entram na sala e passam por muitos acentos com vaga para duas pessoas até que chegam a um com lugar para três. O filme começa e o menino reclama da enorme cabeça na sua frente, ele tenta mudar de lugar, mas a mãe não deixa, até que se senta na cadeira vaga um homem. Depois de alguns momentos a cabeça que o atrapalhava sai do acento e nessa hora ele vê a mãe de mãos dadas ao estranho do lado. Daí para frente a imagem da mão branca da mãe e da mão morena do homem o perturba. Pouco antes do fim do filme o homem parte. Ele e a mãe vão embora, ela alegremente. Chegando a casa encontram o pai e o menino então chora.
João Guimaães Rosa - Primeiras estórias

ENREDOS
I - "As margens da alegria". Um menino descobre a vida, em ciclos alternados de alegria (viagem de avião, deslumbramento pela flora, e fauna) e tristeza (morte do peru e derrubada de uma árvore).
II - "Famigerado". O jagunço Damázio Siqueira atormenta-se com um problema vocabular: ouviu a palavra "famigerado" de um moço do governo e vai procurar o farmacêutico, pessoa letrada do lugar, para saber se tal termo era um insulto contra ele, jagunço.
III - "Sorôco, sua mãe, sua filha". Um trem aguarda a chegada da mãe e da filha de Sorôco, para conduzí-las ao manicômio de Barbacena. Durante o trajeto até a estação, levadas por Sorôco, elas começam surpreendentemente a cantar. Quando o trem parte, Sorôco volta para casa cantando a mesma canção, e os amigos da cidadezinha, solidariamente, cantam junto.
IV - "A menina e lá". Nhinhinha possuía dotes paranormais: seus desejos, por mais estranhos que fossem, sempre se realizavam. Isolados na roça, seus parentes guardam em segredo o fenômeno, para dele tirar proveito. As reticentes falas da menina tinham caráter de premonição: por exemplo, o pai reclamara da impiedosa seca. Nhinhinha "quis" um arco-íris, que se fez no céu, depois de alentadora chuva. Quando ela pede um caixãozinho cor-de-rosa com efeites brilhantes ninguém percebe que o que ela queria era morrer...
V - "Os irmão Dagobé". O valentão Damastor Dagobé, depois de muito ridicularizar Liojorge, é morto por ele. No arraial, todos dão como certa a vingança dos outros Dagobé: Doricão, Dismundo e Derval. A expectativa da revanche cresce quando Liojorge comunica a intenção de participar do enterro de Damastor. Para surpresa de todos, os irmãos não só concordam, como justificam a atitude de Liojorge, dizendo que Damastor teve o fim que mereceu.
VI - "A terceira margem do rio". Um homem abandona família e sociedade, para viver à deriva numa canoa, no meio de um grande rio. Com o tempo, todos, menos o filho primogênito, desistem de apelar para o seu retorno e se mudam do lugar. O filho, por vínculo de amor, esforça-se para compreender o gesto paterno: por isso, ali permanece por muitos anos. Já de cabelos brancos e tomado por intensa culpa, ele decide substituir o pai na canoa e comunica-lhe sua decisão. Quando o pai faz menção de se aproximar, o filho se apavora e foge, para viver o resto de seus dias ruminando seu "falimento" e sua covardia.
VII - "Pirlimpsiquice". Um grupo de colegiais ensaia um drama para apresentá-lo na festa do colégio. No dia da apresentação, há um imprevisto, e um dos atores se vê obrigado a faltar. Como não havia mais possibilidade de se adiar a apresentação, os adolescentes improvisam uma comédia, que é entusiasticamente bem recebida pela platéia.
VIII - "Nenhum, nenhuma". Uma criança, não se sabe se em sonho ou realidade, passa férias numa fazenda, em companhia de um casal de noivos, de um homem triste e de uma velha velhíssima, de quem a noiva cuidava. O casal interrompe o noivado, e o menino, que conhecera o Amor observando-os, volta para a casa paterna. Lá chegando, explode sua fúria diante dos pais ao notar que eles se suportavam, pois tinham transformado seu casamento num desastre confortável.
IX - "Fatalidade". Zé Centeralfe procura o delegado de uma cidadezinha, queixando-se de que Herculinão Socó vivia cantando sua esposa. A situação tornara-se tão insuportável que o casal mudara de arraial. Não adiantou: o Herculinão foi atrás. O delegado, misto de filósofo, justiceiro e poeta, depois de ouvir pacientemente a queixa, procura o conquistador e, sem a mínima hesitação, mata-o, justificando o fato como necessário, em nome da paz e do bem-estar do universo.
X - "Seqüência". Uma vaca fugitiva retorna a sua fazenda de origem. Decidido a resgatá-la, um vaqueiro persegue-a com incomum denodo. Ao chegar à fazenda para onde a vaca retornara, o vaqueiro descobre que havia outro motivo para sua determinação: a filha do fazendeiro, com quem o rapaz se casa.
XI - "O espelho". Um sujeito se coloca diante de um espelho, procurando reeducar seu olhar. apagando as imagens do seu rosto externo. A progressão desses exercícios lhe permite, daí a algum tempo, conhecer sua fisionomia mais pura, a que revela a imagem de sua essência.
XII - "Nada e a nossa condição". O fazendeiro Tio Man'Antônio, com a morte da esposa e o casamento das filhas, sente-se envelhecido e solitário. Decide vender o gado, distribuindo o dinheiro entre as filhas e genros. A seguir, divide sua fazenda em lotes e os distribui entre os empregados, estipulando em testamento uma condição que só deveria ser revelada quando morresse. Quando o fato ocorre, os empregados colocam seu corpo na mesa da sala da casa-grande e incendeiam a casa: a insólita cerimônia de cremação era seu último desejo.
XIII - "O cavalo que bebia cerveja". Giovânio era um velho italiano de hábitos excêntricos: comia caramujo e dava cerveja para cavalo. Isso o tornara alvo da atenção do delegado e de funcionários do Consulado, que convocam o empregado da chácara de "seo Giovânio", Reivalino, para um interrogatório. Notando que o empregado ficava cada vez mais ressabiado e curioso, o italiano resolve então abrir a sua casa para Reivalino e para o delegado: dentro havia um cavalo branco empalhado. Passado um tempo, outra surpresa: Giovânio leva Reivalino até a sala, onde o corpo de seu irmão Josepe, desfigurado pela guerra, jazia no chão. Reivalino é incumbido de enterrá-lo, conforme a tradição cristã. Com isso, afeiçoa-se cada vez mais ao patrão, a ponto de ser nomeado seu herdeiro quando o italiano morre.
XIV - "Um moço muito branco". Os habitantes de Serro Frio, numa noite de novembro de 1872, têm a impressão de que um disco voador atravessou o espaço, depois de um terremoto. Após esses eventos, aparece na fazenda de Hilário Cordeiro um moço muito branco, portando roupas maltrapilhas. Com seu ar angelical, impõe-se como um ser superior, capaz de prodígios: os negócios de Hilário Cordeiro, o fazendeiro que o acolheu, têm uma guinada espantosamente positiva. Depois de fatos igualmente miraculosos, o moço desaparece do memo modo que chegara. XV - "Luas-de-mel". Joaquim Norberto e Sa-Maria Andreza recebem em sua fazenda um casal fugitivo, versão sertaneja de Romeu e Julieta. Certos de que os capangas do pai da moça virão resgatá-la, todos se preparam para um enfrentamento: a casa da fazenda transforma-se num castelo fortificado. É nesse clima de tensão que se celebra o casamento dos jovens, a que se segue a lua-de-mel, que acontece em dose dupla: dos noivos e do velho casal de anfitriões, cujo amor fora reavivado com o fato. Na manhã seguinte, a expectativa se esvazia com a chegada do irmão da donzela, que propõe solução satisfatória para o caso.
XVI - "Partida do audaz navegante". Quatro crianças, três irmãs e um primo, brincam dentro de casa, aguardando o término da chuva. A caçula, Brejeirinha, brinca com o que lhe dava mais prazer: as palavras. Inventa uma estória do tipo Simbad, o marujo, que ganha novos elementos quando todos vão brincar no quintal, à beira de um riacho. Liberando sua fantasia, Brejeirinha transforma um excremento de gado no "audaz navegante", colocando-o para navegar riacho abaixo.
XVII - "A benfazeja". Mula-Marmela era mulher de Mumbungo, sujeito perverso que se excitava com o sangue de suas vítimas. Esse vampiro tinha um filho, Retrupé, cujo prazer só diferia do do pai quanto à faixa etária das vítimas: preferia as mais frescas. Apesar de amar seu homem e ser correspondida, Mula-Marmela não hesitara em matá-lo e depois cegar Retrupé, de quem se torna guia. Passado algum tempo, resolve assassiná-lo: percebe que esta seria a única maneira de refrear o instinto de lobisomem do rapaz.
XVIII - "Darandina". Um sujeito bem-vestido rouba uma caneta, é surpreendido e, para escapar dos que o perseguem, escala uma palmeira. Uma multidão acompanha atentamente os esforços das autoridades, que procuram convencer o rapaz a descer. Resistindo, ele diz frases desconexas e tira toda a roupa, revelando notável equilíbrio físico. A sessão de nudismo leva um médico a nova tentativa de diálogo. Ao se aproximar, o médico percebe que o sujeito voltara à normalidade e que, envergonhado, pedia socorro. A multidão, sentindo-se ludibriada, não aceita essa sanidade repentina e se dispõe a linchá-lo. Sentindo o risco, o sujeito berra um grito de louvor à liberdade, motivo bastante para a multidão ovacioná-lo e carregá-lo nos ombros.
XIX - "Substância". O fazendeiro Sionésio apaixona-se por sua empregada Maria Exita, que fora abandonada pela família e criada pela peneireira Nhatiaga. Na fazenda, o ofício de Maria Exita era o de quebrar polvilho, trabalho duro mas que a moça realizava com prazer e competência. Embora preocupado com a ascendência da moça, Sionésio sente que a paixão é maior que o preconceito e pede-a em casamento.
XX - "Tarantão, meu patrão". O fazendeiro João-de-Barros-Dinis-Robertes tem uma surpreendente explosão de vitalidade em sua velhice caduca. Como se fora um Quixote, determina-se a matar seu médico: o Magrinho, seu sobrinho-neto. Ao longo da viagem rumo à cidade, recruta um bando de desocupados, ciganos e jagunços, que acatam sua liderança, pelo carisma natural do velho. Chegando à "frente de batalha", Tarantão percebe que era dia de festa: uma das filhas de Magrinho fazia aniversário. O susto inicial, provocado pela invasão do "exército", transforma-se em alívio quando o velho discursa, dizendo de seu apreço pela família e pelos novos amigos, colecionados ao longo da última cavalgada.
XXI - "Os cimos". O menino da primeira estória revela agora a face do sofrimento, causado pela doença da Mãe, fato que apressa sua viagem de volta à casa paterna. Os últimos dias de férias são de preocupação. O Menino só relaxava quando via, todas as manhãs e sempre à mesma hora, um tucano se aproximar da casa dos rios, onde se hospedava. Num processo de sublimação, desencadeado pela beleza da ave, o Menino ganha energia para resistir e para transferir à Mãe uma carga de fluidos mentais positivos, que lhe permitam superar a doença. Quando o Tio o procura para comunicar a melhora da Mãe, o Menino experimenta momentos de êxtase, pois só ele sabia do motivo da cura.
FOCO NARRATIVO
As indicações feitas a seguir são pontuadas com os algarismos que indicam a ordem de pubicação de cada estória no livro. Assim, dez delas têm o foco relato centrado na terceira pessoa:
I-"As margens da alegria"; II-"Famigerado";III-"Sorôco, sua mãe, sua filha"; IV-"A menina de lá"; V-"Os irmãos Dagobé"; VIII-"Nenhum, nenhuma"; X-"Seqüência"; XIV-"Um moço muito branco"; XIX-"Substância" e XXI-"Os cismos".
As onze estórias restantes são relatadas em primeira pessoa:
VI-"A terceira margem do rio"; VII-"Pirlimpsiquice"; IX-"Fatalidade"; XI-"O espelho"; XII-"Nada e a nossa condição"; XIII-"O cavalo que bebia cerveja"; XV-"Luas de mel"; XVI-"Partida do audaz navegante"; XVII-"A benfazeja"; XVIII-"Darandina" e XX-"Tarantão, meu patrão". Dessas onze estórias, apenas duas apresentam o narrador como protagonista: "O espelho" e "Pirlimpsiquice"; nas outras, o relato é feito por um espectador privilegiado, que presencia a ação e registra suas impressões a respeito do que assiste. O narrador pode ser também um personagem secundário da estória, com laços de parentesco ou e amizade com o protagonista.
Quanto ao emprego dos tempos verbais, nota-se que, na maior parte das estórias, o relato se faz através de uma mistura do pretérito perfeito com o pretérito imperfeito do indicativo.
ESPAÇO
A maioria das estórias se passa em ambiente rural não especificado, em sítios e fazendas; algumas têm como cenário pequenos lugarejos, arraiais ou vilas. Os ambientes são apresentados com poucos mas precisos toques: moldura de altos morros, vastos horizontes, grandes rios, pastos extensos, escassas lavouras. Duas estórias, no entanto - "O espelho" e "Darandina" -, transcorrem em cidades, pressupostas até como grandes centros urbanos, pelo fato de mencionarem a existência de secretarias de governo, hospício, corpo de bombeiros, jornalistas, parques de diversões, prédios de repartições públicas e outros serviços tipicamente urbanos.
PERSONAGENS
Embora variem muito quanto à faixa etária e experiência de vida, as personagens se ligam por um aspecto comum: suas reações psicossociais extrapolam o limite da normalidade. São crianças e adolescentes superdotados, santos, bandidos, gurus sertanejos, vampiros e, principalmente, loucos: sete estórias apresentam personagens com este traço.
I - "As margens da alegria". Um menino descobre a vida, em ciclos alternados de alegria (viagem de avião, deslumbramento pela flora, e fauna) e tristeza (morte do peru e derrubada de uma árvore).
II - "Famigerado". O jagunço Damázio Siqueira atormenta-se com um problema vocabular: ouviu a palavra "famigerado" de um moço do governo e vai procurar o farmacêutico, pessoa letrada do lugar, para saber se tal termo era um insulto contra ele, jagunço.
III - "Sorôco, sua mãe, sua filha". Um trem aguarda a chegada da mãe e da filha de Sorôco, para conduzí-las ao manicômio de Barbacena. Durante o trajeto até a estação, levadas por Sorôco, elas começam surpreendentemente a cantar. Quando o trem parte, Sorôco volta para casa cantando a mesma canção, e os amigos da cidadezinha, solidariamente, cantam junto.
IV - "A menina e lá". Nhinhinha possuía dotes paranormais: seus desejos, por mais estranhos que fossem, sempre se realizavam. Isolados na roça, seus parentes guardam em segredo o fenômeno, para dele tirar proveito. As reticentes falas da menina tinham caráter de premonição: por exemplo, o pai reclamara da impiedosa seca. Nhinhinha "quis" um arco-íris, que se fez no céu, depois de alentadora chuva. Quando ela pede um caixãozinho cor-de-rosa com efeites brilhantes ninguém percebe que o que ela queria era morrer...
V - "Os irmão Dagobé". O valentão Damastor Dagobé, depois de muito ridicularizar Liojorge, é morto por ele. No arraial, todos dão como certa a vingança dos outros Dagobé: Doricão, Dismundo e Derval. A expectativa da revanche cresce quando Liojorge comunica a intenção de participar do enterro de Damastor. Para surpresa de todos, os irmãos não só concordam, como justificam a atitude de Liojorge, dizendo que Damastor teve o fim que mereceu.
VI - "A terceira margem do rio". Um homem abandona família e sociedade, para viver à deriva numa canoa, no meio de um grande rio. Com o tempo, todos, menos o filho primogênito, desistem de apelar para o seu retorno e se mudam do lugar. O filho, por vínculo de amor, esforça-se para compreender o gesto paterno: por isso, ali permanece por muitos anos. Já de cabelos brancos e tomado por intensa culpa, ele decide substituir o pai na canoa e comunica-lhe sua decisão. Quando o pai faz menção de se aproximar, o filho se apavora e foge, para viver o resto de seus dias ruminando seu "falimento" e sua covardia.
VII - "Pirlimpsiquice". Um grupo de colegiais ensaia um drama para apresentá-lo na festa do colégio. No dia da apresentação, há um imprevisto, e um dos atores se vê obrigado a faltar. Como não havia mais possibilidade de se adiar a apresentação, os adolescentes improvisam uma comédia, que é entusiasticamente bem recebida pela platéia.
VIII - "Nenhum, nenhuma". Uma criança, não se sabe se em sonho ou realidade, passa férias numa fazenda, em companhia de um casal de noivos, de um homem triste e de uma velha velhíssima, de quem a noiva cuidava. O casal interrompe o noivado, e o menino, que conhecera o Amor observando-os, volta para a casa paterna. Lá chegando, explode sua fúria diante dos pais ao notar que eles se suportavam, pois tinham transformado seu casamento num desastre confortável.
IX - "Fatalidade". Zé Centeralfe procura o delegado de uma cidadezinha, queixando-se de que Herculinão Socó vivia cantando sua esposa. A situação tornara-se tão insuportável que o casal mudara de arraial. Não adiantou: o Herculinão foi atrás. O delegado, misto de filósofo, justiceiro e poeta, depois de ouvir pacientemente a queixa, procura o conquistador e, sem a mínima hesitação, mata-o, justificando o fato como necessário, em nome da paz e do bem-estar do universo.
X - "Seqüência". Uma vaca fugitiva retorna a sua fazenda de origem. Decidido a resgatá-la, um vaqueiro persegue-a com incomum denodo. Ao chegar à fazenda para onde a vaca retornara, o vaqueiro descobre que havia outro motivo para sua determinação: a filha do fazendeiro, com quem o rapaz se casa.
XI - "O espelho". Um sujeito se coloca diante de um espelho, procurando reeducar seu olhar. apagando as imagens do seu rosto externo. A progressão desses exercícios lhe permite, daí a algum tempo, conhecer sua fisionomia mais pura, a que revela a imagem de sua essência.
XII - "Nada e a nossa condição". O fazendeiro Tio Man'Antônio, com a morte da esposa e o casamento das filhas, sente-se envelhecido e solitário. Decide vender o gado, distribuindo o dinheiro entre as filhas e genros. A seguir, divide sua fazenda em lotes e os distribui entre os empregados, estipulando em testamento uma condição que só deveria ser revelada quando morresse. Quando o fato ocorre, os empregados colocam seu corpo na mesa da sala da casa-grande e incendeiam a casa: a insólita cerimônia de cremação era seu último desejo.
XIII - "O cavalo que bebia cerveja". Giovânio era um velho italiano de hábitos excêntricos: comia caramujo e dava cerveja para cavalo. Isso o tornara alvo da atenção do delegado e de funcionários do Consulado, que convocam o empregado da chácara de "seo Giovânio", Reivalino, para um interrogatório. Notando que o empregado ficava cada vez mais ressabiado e curioso, o italiano resolve então abrir a sua casa para Reivalino e para o delegado: dentro havia um cavalo branco empalhado. Passado um tempo, outra surpresa: Giovânio leva Reivalino até a sala, onde o corpo de seu irmão Josepe, desfigurado pela guerra, jazia no chão. Reivalino é incumbido de enterrá-lo, conforme a tradição cristã. Com isso, afeiçoa-se cada vez mais ao patrão, a ponto de ser nomeado seu herdeiro quando o italiano morre.
XIV - "Um moço muito branco". Os habitantes de Serro Frio, numa noite de novembro de 1872, têm a impressão de que um disco voador atravessou o espaço, depois de um terremoto. Após esses eventos, aparece na fazenda de Hilário Cordeiro um moço muito branco, portando roupas maltrapilhas. Com seu ar angelical, impõe-se como um ser superior, capaz de prodígios: os negócios de Hilário Cordeiro, o fazendeiro que o acolheu, têm uma guinada espantosamente positiva. Depois de fatos igualmente miraculosos, o moço desaparece do memo modo que chegara. XV - "Luas-de-mel". Joaquim Norberto e Sa-Maria Andreza recebem em sua fazenda um casal fugitivo, versão sertaneja de Romeu e Julieta. Certos de que os capangas do pai da moça virão resgatá-la, todos se preparam para um enfrentamento: a casa da fazenda transforma-se num castelo fortificado. É nesse clima de tensão que se celebra o casamento dos jovens, a que se segue a lua-de-mel, que acontece em dose dupla: dos noivos e do velho casal de anfitriões, cujo amor fora reavivado com o fato. Na manhã seguinte, a expectativa se esvazia com a chegada do irmão da donzela, que propõe solução satisfatória para o caso.
XVI - "Partida do audaz navegante". Quatro crianças, três irmãs e um primo, brincam dentro de casa, aguardando o término da chuva. A caçula, Brejeirinha, brinca com o que lhe dava mais prazer: as palavras. Inventa uma estória do tipo Simbad, o marujo, que ganha novos elementos quando todos vão brincar no quintal, à beira de um riacho. Liberando sua fantasia, Brejeirinha transforma um excremento de gado no "audaz navegante", colocando-o para navegar riacho abaixo.
XVII - "A benfazeja". Mula-Marmela era mulher de Mumbungo, sujeito perverso que se excitava com o sangue de suas vítimas. Esse vampiro tinha um filho, Retrupé, cujo prazer só diferia do do pai quanto à faixa etária das vítimas: preferia as mais frescas. Apesar de amar seu homem e ser correspondida, Mula-Marmela não hesitara em matá-lo e depois cegar Retrupé, de quem se torna guia. Passado algum tempo, resolve assassiná-lo: percebe que esta seria a única maneira de refrear o instinto de lobisomem do rapaz.
XVIII - "Darandina". Um sujeito bem-vestido rouba uma caneta, é surpreendido e, para escapar dos que o perseguem, escala uma palmeira. Uma multidão acompanha atentamente os esforços das autoridades, que procuram convencer o rapaz a descer. Resistindo, ele diz frases desconexas e tira toda a roupa, revelando notável equilíbrio físico. A sessão de nudismo leva um médico a nova tentativa de diálogo. Ao se aproximar, o médico percebe que o sujeito voltara à normalidade e que, envergonhado, pedia socorro. A multidão, sentindo-se ludibriada, não aceita essa sanidade repentina e se dispõe a linchá-lo. Sentindo o risco, o sujeito berra um grito de louvor à liberdade, motivo bastante para a multidão ovacioná-lo e carregá-lo nos ombros.
XIX - "Substância". O fazendeiro Sionésio apaixona-se por sua empregada Maria Exita, que fora abandonada pela família e criada pela peneireira Nhatiaga. Na fazenda, o ofício de Maria Exita era o de quebrar polvilho, trabalho duro mas que a moça realizava com prazer e competência. Embora preocupado com a ascendência da moça, Sionésio sente que a paixão é maior que o preconceito e pede-a em casamento.
XX - "Tarantão, meu patrão". O fazendeiro João-de-Barros-Dinis-Robertes tem uma surpreendente explosão de vitalidade em sua velhice caduca. Como se fora um Quixote, determina-se a matar seu médico: o Magrinho, seu sobrinho-neto. Ao longo da viagem rumo à cidade, recruta um bando de desocupados, ciganos e jagunços, que acatam sua liderança, pelo carisma natural do velho. Chegando à "frente de batalha", Tarantão percebe que era dia de festa: uma das filhas de Magrinho fazia aniversário. O susto inicial, provocado pela invasão do "exército", transforma-se em alívio quando o velho discursa, dizendo de seu apreço pela família e pelos novos amigos, colecionados ao longo da última cavalgada.
XXI - "Os cimos". O menino da primeira estória revela agora a face do sofrimento, causado pela doença da Mãe, fato que apressa sua viagem de volta à casa paterna. Os últimos dias de férias são de preocupação. O Menino só relaxava quando via, todas as manhãs e sempre à mesma hora, um tucano se aproximar da casa dos rios, onde se hospedava. Num processo de sublimação, desencadeado pela beleza da ave, o Menino ganha energia para resistir e para transferir à Mãe uma carga de fluidos mentais positivos, que lhe permitam superar a doença. Quando o Tio o procura para comunicar a melhora da Mãe, o Menino experimenta momentos de êxtase, pois só ele sabia do motivo da cura.
FOCO NARRATIVO
As indicações feitas a seguir são pontuadas com os algarismos que indicam a ordem de pubicação de cada estória no livro. Assim, dez delas têm o foco relato centrado na terceira pessoa:
I-"As margens da alegria"; II-"Famigerado";III-"Sorôco, sua mãe, sua filha"; IV-"A menina de lá"; V-"Os irmãos Dagobé"; VIII-"Nenhum, nenhuma"; X-"Seqüência"; XIV-"Um moço muito branco"; XIX-"Substância" e XXI-"Os cismos".
As onze estórias restantes são relatadas em primeira pessoa:
VI-"A terceira margem do rio"; VII-"Pirlimpsiquice"; IX-"Fatalidade"; XI-"O espelho"; XII-"Nada e a nossa condição"; XIII-"O cavalo que bebia cerveja"; XV-"Luas de mel"; XVI-"Partida do audaz navegante"; XVII-"A benfazeja"; XVIII-"Darandina" e XX-"Tarantão, meu patrão". Dessas onze estórias, apenas duas apresentam o narrador como protagonista: "O espelho" e "Pirlimpsiquice"; nas outras, o relato é feito por um espectador privilegiado, que presencia a ação e registra suas impressões a respeito do que assiste. O narrador pode ser também um personagem secundário da estória, com laços de parentesco ou e amizade com o protagonista.
Quanto ao emprego dos tempos verbais, nota-se que, na maior parte das estórias, o relato se faz através de uma mistura do pretérito perfeito com o pretérito imperfeito do indicativo.
ESPAÇO
A maioria das estórias se passa em ambiente rural não especificado, em sítios e fazendas; algumas têm como cenário pequenos lugarejos, arraiais ou vilas. Os ambientes são apresentados com poucos mas precisos toques: moldura de altos morros, vastos horizontes, grandes rios, pastos extensos, escassas lavouras. Duas estórias, no entanto - "O espelho" e "Darandina" -, transcorrem em cidades, pressupostas até como grandes centros urbanos, pelo fato de mencionarem a existência de secretarias de governo, hospício, corpo de bombeiros, jornalistas, parques de diversões, prédios de repartições públicas e outros serviços tipicamente urbanos.
PERSONAGENS
Embora variem muito quanto à faixa etária e experiência de vida, as personagens se ligam por um aspecto comum: suas reações psicossociais extrapolam o limite da normalidade. São crianças e adolescentes superdotados, santos, bandidos, gurus sertanejos, vampiros e, principalmente, loucos: sete estórias apresentam personagens com este traço.
O Romance de 30
Depois da Semana de Arte Moderna, a idéia de "modernismo" - ou seja, de novas atitudes artísticas contra a arte encarada como artificial, contra tudo o que os escritores consideravam "velho"- parecia não ter sido absorvida e a literatura no Brasil parecia não ter mudado em nada.
Entretanto, alguns intelectuais de várias regiões começaram a manifestar-se: a verdadeira arte moderna devia retratar criticamente um Brasil mais abrangente, que mal se conhecia, cujas desigualdades sociais fossem retratadas com vigor num realismo próprio do século 20. A arte literária, segundo vários intelectuais, devia sair dos "salões aristocráticos de São Paulo", quer dizer, devia abandonar o contato apenas com o urbano, influenciado pelas vanguardas européias.
O Romance de 30
Em 1926, ocorre um congresso em Recife e nele se encontram escritores do Nordeste; estes se dispõem, aos poucos, a fazer uma prosa regional consistente e participativa. É dessas primeiras manifestações que surgirá um dos momentos mais autênticos da literatura brasileira, o Romance de 30.
A data de 1930 é marcante porque consolida a renovação do gênero romance no Brasil, ou seja, traz novos rumos à prosa. Depois de tanta arruaça intelectual dos primeiros modernistas no Sudeste do país, procura-se atingir equilíbrio e estabilidade, que, aos poucos, vai aparecendo em obras e mais obras: O quinze, de Rachel de Queiroz (1930); O país do Carnaval, de Jorge Amado (1931); Menino de engenho, de José Lins do Rego (1932); São Bernardo, de Graciliano Ramos (1934); e Capitães da areia, de Jorge Amado (1937).
Esta nova literatura em prosa será antifascista e anticapitalista, extremamente vigorosa e crítica. Os livros didáticos a chamam com vários nomes: "Romance de 30" (porque é o início cronológico da nova literatura); romance neo-realista (porque essas obras conseguiram renovar e modernizar o realismo/naturalismo do século 19, enriquecendo-o com preocupações psicológicas e sociais) ou romance regionalista moderno (porque escapa das metrópoles e vai ao Brasil regional, preso ainda a antinomias dos séculos anteriores).
Lembremos, inclusive, que algumas obras sociológicas fundamentais surgem nessa mesma época: Casa-grande & senzala, de Gilberto Freyre, é de 1933, e Raízes do Brasil, de Sérgio Buarque de Hollanda, de 1936.
De todos os nomes para essa época, o melhor parece ser o do título deste artigo. Por quê? Porque os romances de Rachel de Queiroz, Jorge Amado, José Lins do Rego, Érico Verissimo, Graciliano Ramos e outros escritores criaram um estilo novo, completamente moderno, totalmente liberto da linguagem tradicional, nos quais puderam incorporar a real linguagem regional, as gírias locais.
A consciência crítica
Mais do que tudo, através dessa "fala", consolidaram em suas obras questões sociais bastante graves: a desigualdade social, a vida cruel dos retirantes, os resquícios de escravidão, o coronelismo, apoiado na posse das terras - todos problemas sociopolíticos que se sobreporiam ao lado pitoresco das várias regiões retratadas.
Leia, por exemplo, um trecho de Vidas secas, de Graciliano Ramos:
Na planície avermelhada os juazeiros alargavam duas manchas verdes. Os infelizes tinham caminhado o dia inteiro, estavam cansados e famintos
[...]
Arrastaram-se para lá, devagar, Sinhá Vitória com o filho mais novo escanhacado no quarto e o baú de folha na cabeça, Fabiano sombrio, cambaio, o aió a tiracolo, a cuia pendurada numa correia presa ao cinturão, a espingarda de pederneira no ombro. O menino mais velho e a cachorra Baleia iam atrás.
Perceba a força narrativa com que o narrador descreve a cena cruel, de retirantes exaustos sob o sol, a família silenciosa e triste, com a qual ele se solidariza ("os infelizes"); ele e nós, os leitores. A lentidão proposital da narrativa é a superação difícil do caminho sob o sol (para onde vai quem não tem terras?) e a secura descritiva reproduz o silêncio dos que estão exaustos. Essa é a seca vida do herói - agora um anti-herói -, humilhado e vencido pelo meio hostil.
Esses romances foram fundamentais para o amadurecimento da consciência crítica e social do leitor brasileiro. Com eles, encontramos formas de compreensão do homem em várias faixas da sociedade brasileira e do determinismo que o persegue em situações adversas. É injusto pensarmos que esses romances mostraram apenas as "mulatas gabrielas" para o mundo exterior. As formas de narrar o cotidiano ficaram mais complexas e tensas.
Leia mais um trecho de Graciliano Ramos, não da história de Fabiano, mas da de Paulo Honório, que foi guia de cego e trabalhador de enxada, mas conseguiu conquistar, com violência e determinação, além da fazenda de São Bernardo, respeito, dinheiro e prestígio: virou um coronel. Teria sido um Fabiano que deu certo? Parece que não:
Cinqüenta anos perdidos, cinqüenta anos gastos sem objetivo, a maltratar-me e a maltratar os outros. O resultado é que endureci, calejei
[...]
Creio que nem sempre fui egoísta e brutal. A profissão é que me deu qualidades tão ruins.
[...]
Não consigo modificar-me, é o que aflige.
[....]
A culpa foi minha, ou antes, a culpa foi desta vida agreste que me deu uma alma agreste.
A adesão ao socialismo impôs aos escritores da época, às vezes de forma radical, fórmulas de compreensão do homem em sociedade. Os romancistas, imbuídos do sentimento de missão política, queriam mostrar as tensões que transformavam ou destruíam os homens - aliás, um tema universal e sempre vivo na literatura.
Mas o fato é que sem os modernistas de 1922 (1ª geração), dificilmente os modernistas de 1930 (2ª geração) teriam conseguido o feito literário e social que obtiveram, porque aqueles foram os primeiros que provocaram a atualização da "inteligência" brasileira, foram eles que trouxeram para a literatura o fato não-literário e a oralidade, que tanto beneficiou o realismo seco dos escritores regionalistas, dando-lhes maior autenticidade.
Por outro lado, mesmo com os romances mais pitorescos e menos brutais, os leitores aprenderam, como nos ensina Alfredo Bosi (História concisa da literatura brasileira), que o velho mundo dos homens poderosos não acaba tão facilmente: as estruturas das oligarquias regionais se mantêm através do poder e da força, e é contra eles que se tem de lutar. Como nos conta Jorge Amado, ao final de Capitães da areia:
No ano em que todas as bocas foram impedidas de falar, no ano que foi todo ele uma noite de terror, esses jornais (únicas bocas que ainda falavam) clamavam pela liberdade de Pedro Bala, líder da sua classe, que se encontrava preso numa colônia.
[...]
E no dia em que ele fugiu..., em inúmeros lares, na hora pobre do jantar, rostos se iluminaram ao saber da notícia.
[...]
Qualquer daqueles lares se abriria para Pedro Bala, fugitivo da polícia. Porque a revolução é uma pátria e uma família.
http://educacao.uol.com.br/portugues/modernismo-romance-30.jhtm. Em 19/07/2009.
Entretanto, alguns intelectuais de várias regiões começaram a manifestar-se: a verdadeira arte moderna devia retratar criticamente um Brasil mais abrangente, que mal se conhecia, cujas desigualdades sociais fossem retratadas com vigor num realismo próprio do século 20. A arte literária, segundo vários intelectuais, devia sair dos "salões aristocráticos de São Paulo", quer dizer, devia abandonar o contato apenas com o urbano, influenciado pelas vanguardas européias.
O Romance de 30
Em 1926, ocorre um congresso em Recife e nele se encontram escritores do Nordeste; estes se dispõem, aos poucos, a fazer uma prosa regional consistente e participativa. É dessas primeiras manifestações que surgirá um dos momentos mais autênticos da literatura brasileira, o Romance de 30.
A data de 1930 é marcante porque consolida a renovação do gênero romance no Brasil, ou seja, traz novos rumos à prosa. Depois de tanta arruaça intelectual dos primeiros modernistas no Sudeste do país, procura-se atingir equilíbrio e estabilidade, que, aos poucos, vai aparecendo em obras e mais obras: O quinze, de Rachel de Queiroz (1930); O país do Carnaval, de Jorge Amado (1931); Menino de engenho, de José Lins do Rego (1932); São Bernardo, de Graciliano Ramos (1934); e Capitães da areia, de Jorge Amado (1937).
Esta nova literatura em prosa será antifascista e anticapitalista, extremamente vigorosa e crítica. Os livros didáticos a chamam com vários nomes: "Romance de 30" (porque é o início cronológico da nova literatura); romance neo-realista (porque essas obras conseguiram renovar e modernizar o realismo/naturalismo do século 19, enriquecendo-o com preocupações psicológicas e sociais) ou romance regionalista moderno (porque escapa das metrópoles e vai ao Brasil regional, preso ainda a antinomias dos séculos anteriores).
Lembremos, inclusive, que algumas obras sociológicas fundamentais surgem nessa mesma época: Casa-grande & senzala, de Gilberto Freyre, é de 1933, e Raízes do Brasil, de Sérgio Buarque de Hollanda, de 1936.
De todos os nomes para essa época, o melhor parece ser o do título deste artigo. Por quê? Porque os romances de Rachel de Queiroz, Jorge Amado, José Lins do Rego, Érico Verissimo, Graciliano Ramos e outros escritores criaram um estilo novo, completamente moderno, totalmente liberto da linguagem tradicional, nos quais puderam incorporar a real linguagem regional, as gírias locais.
A consciência crítica
Mais do que tudo, através dessa "fala", consolidaram em suas obras questões sociais bastante graves: a desigualdade social, a vida cruel dos retirantes, os resquícios de escravidão, o coronelismo, apoiado na posse das terras - todos problemas sociopolíticos que se sobreporiam ao lado pitoresco das várias regiões retratadas.
Leia, por exemplo, um trecho de Vidas secas, de Graciliano Ramos:
Na planície avermelhada os juazeiros alargavam duas manchas verdes. Os infelizes tinham caminhado o dia inteiro, estavam cansados e famintos
[...]
Arrastaram-se para lá, devagar, Sinhá Vitória com o filho mais novo escanhacado no quarto e o baú de folha na cabeça, Fabiano sombrio, cambaio, o aió a tiracolo, a cuia pendurada numa correia presa ao cinturão, a espingarda de pederneira no ombro. O menino mais velho e a cachorra Baleia iam atrás.
Perceba a força narrativa com que o narrador descreve a cena cruel, de retirantes exaustos sob o sol, a família silenciosa e triste, com a qual ele se solidariza ("os infelizes"); ele e nós, os leitores. A lentidão proposital da narrativa é a superação difícil do caminho sob o sol (para onde vai quem não tem terras?) e a secura descritiva reproduz o silêncio dos que estão exaustos. Essa é a seca vida do herói - agora um anti-herói -, humilhado e vencido pelo meio hostil.
Esses romances foram fundamentais para o amadurecimento da consciência crítica e social do leitor brasileiro. Com eles, encontramos formas de compreensão do homem em várias faixas da sociedade brasileira e do determinismo que o persegue em situações adversas. É injusto pensarmos que esses romances mostraram apenas as "mulatas gabrielas" para o mundo exterior. As formas de narrar o cotidiano ficaram mais complexas e tensas.
Leia mais um trecho de Graciliano Ramos, não da história de Fabiano, mas da de Paulo Honório, que foi guia de cego e trabalhador de enxada, mas conseguiu conquistar, com violência e determinação, além da fazenda de São Bernardo, respeito, dinheiro e prestígio: virou um coronel. Teria sido um Fabiano que deu certo? Parece que não:
Cinqüenta anos perdidos, cinqüenta anos gastos sem objetivo, a maltratar-me e a maltratar os outros. O resultado é que endureci, calejei
[...]
Creio que nem sempre fui egoísta e brutal. A profissão é que me deu qualidades tão ruins.
[...]
Não consigo modificar-me, é o que aflige.
[....]
A culpa foi minha, ou antes, a culpa foi desta vida agreste que me deu uma alma agreste.
A adesão ao socialismo impôs aos escritores da época, às vezes de forma radical, fórmulas de compreensão do homem em sociedade. Os romancistas, imbuídos do sentimento de missão política, queriam mostrar as tensões que transformavam ou destruíam os homens - aliás, um tema universal e sempre vivo na literatura.
Mas o fato é que sem os modernistas de 1922 (1ª geração), dificilmente os modernistas de 1930 (2ª geração) teriam conseguido o feito literário e social que obtiveram, porque aqueles foram os primeiros que provocaram a atualização da "inteligência" brasileira, foram eles que trouxeram para a literatura o fato não-literário e a oralidade, que tanto beneficiou o realismo seco dos escritores regionalistas, dando-lhes maior autenticidade.
Por outro lado, mesmo com os romances mais pitorescos e menos brutais, os leitores aprenderam, como nos ensina Alfredo Bosi (História concisa da literatura brasileira), que o velho mundo dos homens poderosos não acaba tão facilmente: as estruturas das oligarquias regionais se mantêm através do poder e da força, e é contra eles que se tem de lutar. Como nos conta Jorge Amado, ao final de Capitães da areia:
No ano em que todas as bocas foram impedidas de falar, no ano que foi todo ele uma noite de terror, esses jornais (únicas bocas que ainda falavam) clamavam pela liberdade de Pedro Bala, líder da sua classe, que se encontrava preso numa colônia.
[...]
E no dia em que ele fugiu..., em inúmeros lares, na hora pobre do jantar, rostos se iluminaram ao saber da notícia.
[...]
Qualquer daqueles lares se abriria para Pedro Bala, fugitivo da polícia. Porque a revolução é uma pátria e uma família.
http://educacao.uol.com.br/portugues/modernismo-romance-30.jhtm. Em 19/07/2009.
domingo, 6 de setembro de 2009
Características da Literatura Modernista
LIBERDADE DE EXPRESSÃO
A importância maior das vanguardas residiu no triunfo de uma concepção inteiramente libertária da criação artística. O pintor, o escritor ou o músico não precisam se guiar por outras leis que não as de sua própria interioridade e de seu próprio arbítrio. Picasso não pintará mais o real e sim a sua interpretação do real. Compositores como Schönberg e Stravinski levarão a música a novos limites, questionando a tonalidade usual.
A liberdade só poderá ser cerceada por regimes autoritários que proibirem a circulação dos objetos artísticos. Em resumo, todas as normas foram abolidas. Poética, de Manuel Bandeira, é um manifesto dessa nova postura, com seu célebre verso final:
Não quero mais saber de lirismo que não é libertação.
INCORPORAÇÃO DO COTIDIANO
Uma das maiores conquistas do modernismo, a valorização da vida cotidiana traz para a arte uma abertura temática sem precedentes, pois, até então, apenas assuntos "sublimes" tinham direito indiscutível ao mundo literário. Agora, o prosaico, o diário, o grosseiro, o vulgar, o resíduo e o lixo tornam-se os motivos centrais da nova estética. À grandiosidade da paisagem, Manuel Bandeira sobrepõe a humildade do beco:
Que importa a paisagem, a Glória, a baía, a linha do horizonte?
- O que eu vejo é o beco.
Mário Quintana afirma, em um de seus curtos poemas em prosa, que "os verdadeiros poetas não lêem os outros poetas e sim os pequenos anúncios dos jornais", porque certamente nestes classificados pululam os dramas mais banais e os interesses mais comuns da humanidade.
LINGUAGEM COLOQUIAL
Este anticonvencionalismo temático, esta dessacralização dos conteúdos encontra correspondência na linguagem. Além das inovações técnicas, a linguagem torna-se coloquial, espontânea, mesclando expressões da língua culta com termos populares, o estilo elevado com o estilo vulgar. Há uma forte aproximação com a fala, isto é, com a oralidade. Assim, liberto da escrita nobre, o artista volta-se para uma forma prosaica de dizer, feita de palavras simples e que, inclusive, admite erros gramaticais, conforme Oswald de Andrade preconiza no Manifesto da Poesia Pau Brasil, de 1924:
A língua sem arcaísmos. Sem erudição. Natural e neológica. A contribuição milionária de todos os erros.
INOVAÇÕES TÉCNICAS
O rompimento com os padrões culturais do século XIX implicaria no aparecimento de novas técnicas, tanto no domínio da poesia, quanto no da ficção. As principais conquistas foram:
.verso livre
O verso já não está sujeito ao rigor métrico e às formas fixas de versificação, como o soneto, por exemplo. Também a rima se torna desnecessária. Vejamos um trecho de Consideração do poema, de Carlos Drummond de Andrade:
Não rimarei a palavra sono
com a incorrespondente palavra outono.
Rimarei com a palavra carne
Ou qualquer outra, todas me convêm.
.destruição dos nexos
Os chamados nexos sintáticos, preposições, conjunções, etc., são eliminados da poesia moderna, que se torna mais solta, mais descontínua e fragmentária e, fundamentalmente, mais sintética. Veja-se um exemplo radical no poema Coca cola, do concretista Décio Pignatari:
beba coca cola
babe cola
beba coca
babe cola caco
caco cola cloaca.
No plano da prosa, essas elipses geram o estilo telegráfico: frases curtas e sincopadas, cujo modelo são as narrativas do norte-americano Hemingway.
.paronomásia
Figura muito usada depois de 1922, consiste na junção de palavras de sonoridade muito parecida, mas de significado diferente. Murilo Mendes escreve: "As têmporas da maçã, as têmporas da hortelã, as têmporas da romã, as têmporas do tempo, o tempo temporã." Da mesma maneira, Carlos Drummond é um especialista em paronomásias:
"Melancolias, mercadorias espreitam-me."
.enumeração caótica
Consiste no acúmulo de palavras que designam objetos, seres, sensações, vinculados a uma idéia ou várias idéias básicas, sem ligação evidente entre si. A técnica está presente em Ferreira Gullar e seu Poema sujo:
Era a vida a explodir por todas as fendas da cidade sob as sombras da guerra: a gestapo a wehrmacht a raf a feb a Blitzkrieg catalinas torpedeando a quinta-coluna os fascistas os nazistas os comunistas o repórter esso a discussão na quitanda o querosene o sabão de andiroba o mercado negro o racionamento o blackout as montanhas de metais velhos o italiano assassinado na Praça João Lisboa o cheiro de pólvora os canhões alemães troando nas noites de tempestade por cima de nossa casa. Stalingrado resiste. Por meu pai que contrabandeava cigarros, por meu primo que passava rifa, pelo tio que roubava estanho à Estrada-de Ferro, por seu Neco que fazia charutos ordinários, pelo sargento Gonzaga que tomava tiquira com mel-de-abelha(...)
.fluxo da consciência
Técnica narrativa estabelecida por Edouard Dujardin e sacramentada, como já vimos, por Joyce. Trata-se do monólogo interior levado para o texto de ficção sem qualquer obediência à normalidade gramatical, à lógica ou mesmo à coerência. É a mente do personagem revelada por ele próprio, sem nenhum tipo de barreira racional. O monólogo de Molly Bloom, no Ulisses, tornou-se clássico:
(...) que alívio onde quer que seja teu vento despeja quem sabe se aquela costeleta de porco que comi com minha xícara de chá depois estava boa com o calor ou não cheirei nada eu certa que aquele sujeito afrescalhado na charuteria é um grande maroto eu espero que essa lamparina não esteja fumegando pra me encher o nariz de fuligem (...)
.colagem e montagem cinematográfica
Ainda no campo da narrativa, valoriza-se a fragmentação do texto, sua montagem em blocos e a colagem - a exemplo do que tinham feito os pintores cubistas - de notícias de jornais, cartazes, telegramas, etc., no corpo dos romances, truque utilizado por John dos Passos na trilogia U.S.A. No Brasil, eventualmente, Jorge Amado vale-se da colagem em seus primeiros romances, como em Jubiabá e Capitães de areia.
.ampliação das vozes narrativas
No século XIX, os romances eram narrados em primeira ou terceira pessoa. A estética modernista, sobremodo depois das experiências do americano William Faulkner ( Enquanto agonizo, O som e a fúria,1929), passa a admitir uma multiplicidade de perspectivas, vários narradores, mescla de primeira, terceira e até de segunda pessoa, possibilitando um complexo conjunto de ângulos sobre os acontecimentos e os protagonistas dos relatos.
.liberdade no uso dos sinais de pontuação
Os sinais tornaram-se facultativos, com o escritor subordinando o uso de pontos, vírgulas, travessões, etc., a uma disposição estilística ou psicológica e não à regras gramaticais. Sua eliminação freqüente visa a dar ao texto um aspecto caótico ou febril.
PARÓDIA
Os modernistas realizam, em todas as artes, uma aproximação crítica das obras do passado. No universo literário, a releitura de textos famosos das escolas anteriores torna-se uma forma de rejeição ou de admiração. Com freqüência, os modernos reescrevem alguns dos textos consagrados sob uma perspectiva de humor: a paródia.
Um dos livros de crítica literária de Mário de Andrade chama-se A escrava que não é Isaura, numa evidente alusão ao romance de Bernardo Guimarães. Poucos poetas resistiram à chance de parodiar a antológica Canção do exílio, de Gonçalves Dias, conforme podemos verificar num conjunto de excertos, como o de Oswald de Andrade, Canto do regresso à pátria:
Minha terra tem palmares
Onde gorjeia o mar
Os passarinhos aqui
Não cantam como os de lá
Minha terra tem mais rosas
E quase que mais amores
Minha terra tem mais ouro
Minha terra tem mais terra (...)
Não permita Deus que eu morra
Sem que eu volte para são Paulo
Sem que eu veja a rua 15
E o progresso de São Paulo
Em Canção, Mário Quintana parece fazer um protesto ecológico:
Minha terra não tem palmeiras...
E em vez de um mero sabiá,
Cantam aves invisíveis
Nas palmeiras que não há.
Carlos Drummond, mais filosófico, reflete sobre a distância da felicidade em Nova canção do exílio:
Um sabiá
na palmeira, longe.
Estas aves cantam
um outro canto. (...)
Onde tudo é belo
e fantástico,
só, na noite,
seria feliz.
(Um sabiá,
na palmeira, longe.)
Também Murilo Mendes mostra-se irreverente com o célebre poema romântico:
Minha terra tem macieiras da Califórnia
onde cantam gaturamos de Veneza. (...)
Eu morro sufocado em terra estrangeira.
Nossas flores são mais bonitas
nossas frutas são mais gostosas
mas custam cem mil réis a dúzia.
Ai quem me dera chupar uma carambola
de verdade
e ouvir um sabiá com certidão de idade!
http://educaterra.terra.com.br/literatura/
A importância maior das vanguardas residiu no triunfo de uma concepção inteiramente libertária da criação artística. O pintor, o escritor ou o músico não precisam se guiar por outras leis que não as de sua própria interioridade e de seu próprio arbítrio. Picasso não pintará mais o real e sim a sua interpretação do real. Compositores como Schönberg e Stravinski levarão a música a novos limites, questionando a tonalidade usual.
A liberdade só poderá ser cerceada por regimes autoritários que proibirem a circulação dos objetos artísticos. Em resumo, todas as normas foram abolidas. Poética, de Manuel Bandeira, é um manifesto dessa nova postura, com seu célebre verso final:
Não quero mais saber de lirismo que não é libertação.
INCORPORAÇÃO DO COTIDIANO
Uma das maiores conquistas do modernismo, a valorização da vida cotidiana traz para a arte uma abertura temática sem precedentes, pois, até então, apenas assuntos "sublimes" tinham direito indiscutível ao mundo literário. Agora, o prosaico, o diário, o grosseiro, o vulgar, o resíduo e o lixo tornam-se os motivos centrais da nova estética. À grandiosidade da paisagem, Manuel Bandeira sobrepõe a humildade do beco:
Que importa a paisagem, a Glória, a baía, a linha do horizonte?
- O que eu vejo é o beco.
Mário Quintana afirma, em um de seus curtos poemas em prosa, que "os verdadeiros poetas não lêem os outros poetas e sim os pequenos anúncios dos jornais", porque certamente nestes classificados pululam os dramas mais banais e os interesses mais comuns da humanidade.
LINGUAGEM COLOQUIAL
Este anticonvencionalismo temático, esta dessacralização dos conteúdos encontra correspondência na linguagem. Além das inovações técnicas, a linguagem torna-se coloquial, espontânea, mesclando expressões da língua culta com termos populares, o estilo elevado com o estilo vulgar. Há uma forte aproximação com a fala, isto é, com a oralidade. Assim, liberto da escrita nobre, o artista volta-se para uma forma prosaica de dizer, feita de palavras simples e que, inclusive, admite erros gramaticais, conforme Oswald de Andrade preconiza no Manifesto da Poesia Pau Brasil, de 1924:
A língua sem arcaísmos. Sem erudição. Natural e neológica. A contribuição milionária de todos os erros.
INOVAÇÕES TÉCNICAS
O rompimento com os padrões culturais do século XIX implicaria no aparecimento de novas técnicas, tanto no domínio da poesia, quanto no da ficção. As principais conquistas foram:
.verso livre
O verso já não está sujeito ao rigor métrico e às formas fixas de versificação, como o soneto, por exemplo. Também a rima se torna desnecessária. Vejamos um trecho de Consideração do poema, de Carlos Drummond de Andrade:
Não rimarei a palavra sono
com a incorrespondente palavra outono.
Rimarei com a palavra carne
Ou qualquer outra, todas me convêm.
.destruição dos nexos
Os chamados nexos sintáticos, preposições, conjunções, etc., são eliminados da poesia moderna, que se torna mais solta, mais descontínua e fragmentária e, fundamentalmente, mais sintética. Veja-se um exemplo radical no poema Coca cola, do concretista Décio Pignatari:
beba coca cola
babe cola
beba coca
babe cola caco
caco cola cloaca.
No plano da prosa, essas elipses geram o estilo telegráfico: frases curtas e sincopadas, cujo modelo são as narrativas do norte-americano Hemingway.
.paronomásia
Figura muito usada depois de 1922, consiste na junção de palavras de sonoridade muito parecida, mas de significado diferente. Murilo Mendes escreve: "As têmporas da maçã, as têmporas da hortelã, as têmporas da romã, as têmporas do tempo, o tempo temporã." Da mesma maneira, Carlos Drummond é um especialista em paronomásias:
"Melancolias, mercadorias espreitam-me."
.enumeração caótica
Consiste no acúmulo de palavras que designam objetos, seres, sensações, vinculados a uma idéia ou várias idéias básicas, sem ligação evidente entre si. A técnica está presente em Ferreira Gullar e seu Poema sujo:
Era a vida a explodir por todas as fendas da cidade sob as sombras da guerra: a gestapo a wehrmacht a raf a feb a Blitzkrieg catalinas torpedeando a quinta-coluna os fascistas os nazistas os comunistas o repórter esso a discussão na quitanda o querosene o sabão de andiroba o mercado negro o racionamento o blackout as montanhas de metais velhos o italiano assassinado na Praça João Lisboa o cheiro de pólvora os canhões alemães troando nas noites de tempestade por cima de nossa casa. Stalingrado resiste. Por meu pai que contrabandeava cigarros, por meu primo que passava rifa, pelo tio que roubava estanho à Estrada-de Ferro, por seu Neco que fazia charutos ordinários, pelo sargento Gonzaga que tomava tiquira com mel-de-abelha(...)
.fluxo da consciência
Técnica narrativa estabelecida por Edouard Dujardin e sacramentada, como já vimos, por Joyce. Trata-se do monólogo interior levado para o texto de ficção sem qualquer obediência à normalidade gramatical, à lógica ou mesmo à coerência. É a mente do personagem revelada por ele próprio, sem nenhum tipo de barreira racional. O monólogo de Molly Bloom, no Ulisses, tornou-se clássico:
(...) que alívio onde quer que seja teu vento despeja quem sabe se aquela costeleta de porco que comi com minha xícara de chá depois estava boa com o calor ou não cheirei nada eu certa que aquele sujeito afrescalhado na charuteria é um grande maroto eu espero que essa lamparina não esteja fumegando pra me encher o nariz de fuligem (...)
.colagem e montagem cinematográfica
Ainda no campo da narrativa, valoriza-se a fragmentação do texto, sua montagem em blocos e a colagem - a exemplo do que tinham feito os pintores cubistas - de notícias de jornais, cartazes, telegramas, etc., no corpo dos romances, truque utilizado por John dos Passos na trilogia U.S.A. No Brasil, eventualmente, Jorge Amado vale-se da colagem em seus primeiros romances, como em Jubiabá e Capitães de areia.
.ampliação das vozes narrativas
No século XIX, os romances eram narrados em primeira ou terceira pessoa. A estética modernista, sobremodo depois das experiências do americano William Faulkner ( Enquanto agonizo, O som e a fúria,1929), passa a admitir uma multiplicidade de perspectivas, vários narradores, mescla de primeira, terceira e até de segunda pessoa, possibilitando um complexo conjunto de ângulos sobre os acontecimentos e os protagonistas dos relatos.
.liberdade no uso dos sinais de pontuação
Os sinais tornaram-se facultativos, com o escritor subordinando o uso de pontos, vírgulas, travessões, etc., a uma disposição estilística ou psicológica e não à regras gramaticais. Sua eliminação freqüente visa a dar ao texto um aspecto caótico ou febril.
PARÓDIA
Os modernistas realizam, em todas as artes, uma aproximação crítica das obras do passado. No universo literário, a releitura de textos famosos das escolas anteriores torna-se uma forma de rejeição ou de admiração. Com freqüência, os modernos reescrevem alguns dos textos consagrados sob uma perspectiva de humor: a paródia.
Um dos livros de crítica literária de Mário de Andrade chama-se A escrava que não é Isaura, numa evidente alusão ao romance de Bernardo Guimarães. Poucos poetas resistiram à chance de parodiar a antológica Canção do exílio, de Gonçalves Dias, conforme podemos verificar num conjunto de excertos, como o de Oswald de Andrade, Canto do regresso à pátria:
Minha terra tem palmares
Onde gorjeia o mar
Os passarinhos aqui
Não cantam como os de lá
Minha terra tem mais rosas
E quase que mais amores
Minha terra tem mais ouro
Minha terra tem mais terra (...)
Não permita Deus que eu morra
Sem que eu volte para são Paulo
Sem que eu veja a rua 15
E o progresso de São Paulo
Em Canção, Mário Quintana parece fazer um protesto ecológico:
Minha terra não tem palmeiras...
E em vez de um mero sabiá,
Cantam aves invisíveis
Nas palmeiras que não há.
Carlos Drummond, mais filosófico, reflete sobre a distância da felicidade em Nova canção do exílio:
Um sabiá
na palmeira, longe.
Estas aves cantam
um outro canto. (...)
Onde tudo é belo
e fantástico,
só, na noite,
seria feliz.
(Um sabiá,
na palmeira, longe.)
Também Murilo Mendes mostra-se irreverente com o célebre poema romântico:
Minha terra tem macieiras da Califórnia
onde cantam gaturamos de Veneza. (...)
Eu morro sufocado em terra estrangeira.
Nossas flores são mais bonitas
nossas frutas são mais gostosas
mas custam cem mil réis a dúzia.
Ai quem me dera chupar uma carambola
de verdade
e ouvir um sabiá com certidão de idade!
http://educaterra.terra.com.br/literatura/
Modernismo
Momento sócio-cultural
. As máquinas e o ritmo acelerado da civilização industrial se incorporavam à paisagem brasileira.
. Problemas sociais antigos continuam sem solução, produzindo tensões e conflitos graves. Os meios intelectuais sentem que é preciso reformar o Brasil, mergulhado numa contradição grave: ao mesmo tempo em que se modernizava, mantinha uma organização social arcaica.
Características literárias
. A 1ª fase é a de ruptura com o passado. Humor, uso do coloquial, primitivismo, vanguardas, tudo é válido para criar uma literatura em sintonia com os novos tempos.
. Na 2ª fase se estabelecem o romance regionalista, que retrata uma certa região do país, e a prosa intimista, que estuda o homem urbano.
. A 3ª fase nega algumas das propostas da 1ª e retoma o uso cuidadoso e consciente da palavra. O número de correntes literárias e autores cresce, o que torna difícil classificar essa fase.
Alguns autores e obras
. Mário de Andrade: deixou uma obra vasta e muito influente, onde os destaques são Paulicéia Desvairada(1922), Macunaíma(1928), Contos Novos(1946), Lira Paulistana (1946).
. Oswald de Andrade: incorporou elementos das vanguardas européias em seus poemas. Escreveu Memórias Sentimentais de João Miramar(1924), Pau-Brasil(1925), Serafim Ponte Grande(1933), O Rei da Vela(1937).
. Manuel Bandeira: deixou obra lírica, precisa e simples, mas muito bem construída. Destacam-se Libertinagem(1930), Estrela da Manhã(1936), Itinerário de Pasárgada (1954), Estrela da Vida Inteira(1966).
. Graciliano Ramos: expoente do romance regional e de análise psicológica. Tem como principais obras São Bernardo(1934), Angústia(1936), Vidas Secas(1938), Memórias do Cárcere(1953).
. Carlos Drummond de Andrade: considerado um dos maiores poetas da literatura brasileira, deixou obra que expressa a angústia do homem contemporâneo. Destaques: Alguma Poesia(1930), Sentimento do Mundo(1940), A Rosa do Povo(1945), Claro Enigma(1951), Boitempo(1968).
.João Cabral de Melo Neto: importante poeta brasileiro. Deixou obra sem exageros sentimentais, precisa e seca. Destaques: Pedra do Sono(1942), O Cão sem Plumas(1950), Morte e Vida Severina(1956), Museu de Tudo(1975).
.Clarice Lispector: autora de obra voltada ao intimismo e ao mergulho na psique dos personagens. Principais obras: A Cidade Sitiada(1949), A Paixão segundo G.H(1964), Água Viva(1973), A Hora da Estrela(1977).
.Guimarães Rosa: usando o sertão mineiro como cenário, criou obra que investiga temas universais. Destaques: Sagarana(1946), Corpo de Baile(1956), Grande Sertão: Veredas(1956), Tutaméia (Terceiras Estórias) (1967).
. As máquinas e o ritmo acelerado da civilização industrial se incorporavam à paisagem brasileira.
. Problemas sociais antigos continuam sem solução, produzindo tensões e conflitos graves. Os meios intelectuais sentem que é preciso reformar o Brasil, mergulhado numa contradição grave: ao mesmo tempo em que se modernizava, mantinha uma organização social arcaica.
Características literárias
. A 1ª fase é a de ruptura com o passado. Humor, uso do coloquial, primitivismo, vanguardas, tudo é válido para criar uma literatura em sintonia com os novos tempos.
. Na 2ª fase se estabelecem o romance regionalista, que retrata uma certa região do país, e a prosa intimista, que estuda o homem urbano.
. A 3ª fase nega algumas das propostas da 1ª e retoma o uso cuidadoso e consciente da palavra. O número de correntes literárias e autores cresce, o que torna difícil classificar essa fase.
Alguns autores e obras
. Mário de Andrade: deixou uma obra vasta e muito influente, onde os destaques são Paulicéia Desvairada(1922), Macunaíma(1928), Contos Novos(1946), Lira Paulistana (1946).
. Oswald de Andrade: incorporou elementos das vanguardas européias em seus poemas. Escreveu Memórias Sentimentais de João Miramar(1924), Pau-Brasil(1925), Serafim Ponte Grande(1933), O Rei da Vela(1937).
. Manuel Bandeira: deixou obra lírica, precisa e simples, mas muito bem construída. Destacam-se Libertinagem(1930), Estrela da Manhã(1936), Itinerário de Pasárgada (1954), Estrela da Vida Inteira(1966).
. Graciliano Ramos: expoente do romance regional e de análise psicológica. Tem como principais obras São Bernardo(1934), Angústia(1936), Vidas Secas(1938), Memórias do Cárcere(1953).
. Carlos Drummond de Andrade: considerado um dos maiores poetas da literatura brasileira, deixou obra que expressa a angústia do homem contemporâneo. Destaques: Alguma Poesia(1930), Sentimento do Mundo(1940), A Rosa do Povo(1945), Claro Enigma(1951), Boitempo(1968).
.João Cabral de Melo Neto: importante poeta brasileiro. Deixou obra sem exageros sentimentais, precisa e seca. Destaques: Pedra do Sono(1942), O Cão sem Plumas(1950), Morte e Vida Severina(1956), Museu de Tudo(1975).
.Clarice Lispector: autora de obra voltada ao intimismo e ao mergulho na psique dos personagens. Principais obras: A Cidade Sitiada(1949), A Paixão segundo G.H(1964), Água Viva(1973), A Hora da Estrela(1977).
.Guimarães Rosa: usando o sertão mineiro como cenário, criou obra que investiga temas universais. Destaques: Sagarana(1946), Corpo de Baile(1956), Grande Sertão: Veredas(1956), Tutaméia (Terceiras Estórias) (1967).
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