Cartas Chilenas são prosas satíricas, em versos decassílabos brancos, que circularam em Vila Rica poucos anos antes da Inconfidência Mineira, em 1789. Revelando seu lado satírico, num tom mordaz, agressivo, jocoso, pleno de alusões e máscaras, o poeta satiriza ferinamente a mediocridade administrativa, os desmandos dos componentes do governo, o governador de Minas e a Independência do Brasil. São uma coleção de treze cartas.
Critilo é um habitante de Santiago do Chile (na verdade Vila Rica), narra os desmandos despóticos e narcisistas do governador chileno Fanfarrão Minésio (na realidade, Luís da Cunha Menezes, governador de Minas até a Inconfidência Mineira).
Por muito tempo discutiu-se a autoria das Cartas Chilenas. A dúvida só acabou após estudos de Afonso Arinos e, principalmente, de Rodrigues Lapa, comparando a obra com cada um dos elementos do "Grupo Mineiro", possíveis autores, quando se concluiu que o verdadeiro autor é Tomás Antônio Gonzaga e que Critilo é ele mesmo e Doroteu, Cláudio Manuel da Costa. Especula-se que a obra tenha sido influenciada por Cartas Persas, de Montesquieu.
Obtido em http://pt.wikipedia.org/wiki/Cartas_Chilenas. Em 18/11/2009.
O autor se dá o nome de Critilo e chama o destinatário de Doroteu. Finalmente, os fatos aludidos são facilmente identificados pelos leitores contemporâneos.
A matéria é toda referente à tirania e ao abuso de poder do Governador Fanfarrão Minésio, versando a sua falta de decoro, venalidade, prepotência e, sobretudo, desrespeito à lei. Afirmam alguns que o poema circulava largamente em Vila Rica em cópias manuscritas.
Critilo (Tomás Antônio Gonzaga) aplica-se de tal modo na sátira, que a beleza mal o preocupa. Os versos brancos concentram-se no ataque. Sente-se um poeta capaz de escrever no tom familiar que caracteriza o realismo dos neoclássicos, com certa inclinação para a pintura da vida doméstica.
Para Critilo, o arbitrário Governador constituía, de certo modo, atentado ao equilíbrio natural da sociedade.
Entretanto, não se nota nas Cartas nenhuma rebeldia contra os alicerces do sistema colonial, nem mesmo uma revolta contra o colonizador; apenas se critica a má administração do governador Cunha Menezes. Seu significado político, todavia, permanece. Literariamente, é a obra satírica mais importante do século XVIII brasileiro e continua sendo o índice de uma época.
Obtido em: http://www.passeiweb.com/na_ponta_lingua/livros/resumos_comentarios/c/cartas_chilenas. Em 18/11/2009.
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terça-feira, 24 de novembro de 2009
domingo, 18 de outubro de 2009
O Uraguai - Basílio da Gama

Em "O Uraguai", um dos principais poemas épicos do arcadismo no Brasil, Basílio da Gama, com grande talento, reverteu o esquema épico tradicional: inicia em ex abrupto, ou seja, em plena ação; eliminou a mitologia, comum nos épicos; harmonizou a paisagem à ação; além de tratar os indígenas como matéria poética, e não apenas informativa ou exótica. Utilizou os versos da tradição épica neolatina, o decassílabo, sem estrofação fixa, com o qual produziu efeitos sonoros e imagéticos, intensificando os significados e dando agilidade à leitura.A reversão do esquema épico não nos impede de perceber as principais partes da epopéia tradicional: proposição, invocação, dedicatória, narrativa e epílogo.
Louvor à política de Pombal
O poema, além de contar a expedição do Governador do Rio de Janeiro às Missões Jesuíticas do Sul da América Latina (os Sete Povos do Uruguai), é também um canto de louvor à política de perseguição do Marquês de Pombal aos missionários. Tem dedicatória ao Ministro da Marinha, Mendonça Furtado, irmão de Pombal, que trabalhou na demarcação dos limites setentrionais entre Brasil e América Espanhola, cumprindo o Tratado de Madri (1750), que corrigia a demarcação entre as Américas espanhola e portuguesa, firmada pelo Tordesilhas.São exatamente esses litígios de fronteiras, somados ao heroísmo dos índios e a crítica à Companhia de Jesus que dão o tom de "O Uraguai". Basílio não mediu esforços para demonstrar sua gratidão ao Marquês de Pombal.
Heróis e vilões
Veja-se um pequeno fragmento da capacidade do poeta:
"Tem por despojos cabeludas peles
De ensangüentados e famintos lobos
e fingidas raposas".
Estes versos vêm logo após os que chamam Pombal de "Gênio de Alcides", numa analogia com o descendente de Alceu, que vem a ser Hércules, o grande herói da mitologia grega. E logo a seguir, no fragmento transcrito acima, diz quais são os restos de guerra destinados ao herói: as peles das raposas e dos lobos, ou seja, dos jesuítas.
Personagens principais
As principais personagens de "O Uraguai" são: o padre Balda, o vilão, jesuíta devidamente caricaturado, que tem um filho, Baldeta; a heroína Lindóia; o português Gomes Freire de Andrade e os indígenas Sepé, Cacambo e Tatu-Guaçu. Esse poema levou Basílio da Gama a ser membro da Academia Real das Ciências de Lisboa.
Resumo
Canto I
As tropas aliadas se reúnem para combater os índios e os jesuítas.
Canto II
O exército avança e há uma tentativa de negociação com os chefes indígenas Sepé e Cacambo. Sem acordo, trava-se a luta, que termina com a derrota e a retirada dos índios.
Canto III
Cacambo ateia fogo à vegetação em volta do acampamento aliado e foge para a sua aldeia. O padre Balda faz prender e matar Cacambo para que seu filho sacrílego Baldeta possa casar-se com Lindóia, esposa de Cacambo, e tomar a posição do chefe indígena morto. Lindóia, em uma visão, prevê o terremoto de Lisboa e a expulsão dos jesuítas por Pombal.
Canto IV
Neste canto são retratados os preparativos do casamento de Baldeta e Lindoia. Esta, chorando a morte do marido e não desejando casar-se, entra num bosque e deixa-se picar por uma cobra venenosa. Chegam os brancos, que cercam a aldeia. Todos fogem; antes, porém, os padres mandam queimar as casas e a igreja.
Canto V
O líder português Gomes Freire de Andrade prende os inimigos na aldeia próxima, e há referência ao domínio universal da Companhia de Jesus e a seus crimes.
O autor
Basílio da Gama (1741-1795) não foi um poeta de muitas obras. Suas principais produções foram: "Epitalâmio às Núpcias da Senhora Dona Maria Amália" (1769); "A Declamação Trágica" (1772); "Quitúbia" (1791), mas nenhuma tem a fama secular de "O Uraguai" (1769).
O poeta árcade mineiro ficou conhecido quando escreveu o epitalâmio para a filha do marquês de Pombal, como forma de se livrar do exílio em Angola, determinado pela Inquisição, por suspeita de jesuitismo. Esse fato foi determinante para tudo que produziria depois.
http://educacao.uol.com.br/literatura/ult1706u45.jhtm, em 19/07/2009.
Louvor à política de Pombal
O poema, além de contar a expedição do Governador do Rio de Janeiro às Missões Jesuíticas do Sul da América Latina (os Sete Povos do Uruguai), é também um canto de louvor à política de perseguição do Marquês de Pombal aos missionários. Tem dedicatória ao Ministro da Marinha, Mendonça Furtado, irmão de Pombal, que trabalhou na demarcação dos limites setentrionais entre Brasil e América Espanhola, cumprindo o Tratado de Madri (1750), que corrigia a demarcação entre as Américas espanhola e portuguesa, firmada pelo Tordesilhas.São exatamente esses litígios de fronteiras, somados ao heroísmo dos índios e a crítica à Companhia de Jesus que dão o tom de "O Uraguai". Basílio não mediu esforços para demonstrar sua gratidão ao Marquês de Pombal.
Heróis e vilões
Veja-se um pequeno fragmento da capacidade do poeta:
"Tem por despojos cabeludas peles
De ensangüentados e famintos lobos
e fingidas raposas".
Estes versos vêm logo após os que chamam Pombal de "Gênio de Alcides", numa analogia com o descendente de Alceu, que vem a ser Hércules, o grande herói da mitologia grega. E logo a seguir, no fragmento transcrito acima, diz quais são os restos de guerra destinados ao herói: as peles das raposas e dos lobos, ou seja, dos jesuítas.
Personagens principais
As principais personagens de "O Uraguai" são: o padre Balda, o vilão, jesuíta devidamente caricaturado, que tem um filho, Baldeta; a heroína Lindóia; o português Gomes Freire de Andrade e os indígenas Sepé, Cacambo e Tatu-Guaçu. Esse poema levou Basílio da Gama a ser membro da Academia Real das Ciências de Lisboa.
Resumo
Canto I
As tropas aliadas se reúnem para combater os índios e os jesuítas.
Canto II
O exército avança e há uma tentativa de negociação com os chefes indígenas Sepé e Cacambo. Sem acordo, trava-se a luta, que termina com a derrota e a retirada dos índios.
Canto III
Cacambo ateia fogo à vegetação em volta do acampamento aliado e foge para a sua aldeia. O padre Balda faz prender e matar Cacambo para que seu filho sacrílego Baldeta possa casar-se com Lindóia, esposa de Cacambo, e tomar a posição do chefe indígena morto. Lindóia, em uma visão, prevê o terremoto de Lisboa e a expulsão dos jesuítas por Pombal.
Canto IV
Neste canto são retratados os preparativos do casamento de Baldeta e Lindoia. Esta, chorando a morte do marido e não desejando casar-se, entra num bosque e deixa-se picar por uma cobra venenosa. Chegam os brancos, que cercam a aldeia. Todos fogem; antes, porém, os padres mandam queimar as casas e a igreja.
Canto V
O líder português Gomes Freire de Andrade prende os inimigos na aldeia próxima, e há referência ao domínio universal da Companhia de Jesus e a seus crimes.
O autor
Basílio da Gama (1741-1795) não foi um poeta de muitas obras. Suas principais produções foram: "Epitalâmio às Núpcias da Senhora Dona Maria Amália" (1769); "A Declamação Trágica" (1772); "Quitúbia" (1791), mas nenhuma tem a fama secular de "O Uraguai" (1769).
O poeta árcade mineiro ficou conhecido quando escreveu o epitalâmio para a filha do marquês de Pombal, como forma de se livrar do exílio em Angola, determinado pela Inquisição, por suspeita de jesuitismo. Esse fato foi determinante para tudo que produziria depois.
http://educacao.uol.com.br/literatura/ult1706u45.jhtm, em 19/07/2009.
terça-feira, 1 de setembro de 2009
Poesia - Tomás Antônio Gonzaga
Lira V
Eu, Marília, não fui nenhum Vaqueiro,
fui honrado Pastor da tua Aldeia;
vestia finas lãs e tinha sempre
a minha choça do preciso cheia.
Tiraram-me o casal e o manso gado,
nem tenho, a que me encoste, um só cajado.
Para ter que te dar, é que eu queria
de mor rebanho ainda ser o dono;
prezava o teu semblante, os teus cabelos
ainda muito mais que um grande Trono.
Agora que te oferte já não vejo,
além de um puro amor, de um são desejo.
(...)
Nós iremos pescar na quente sesta
com canas e com cestos os peixinhos;
nós iremos caçar nas manhãs frias
com a vara enviscada os passarinhos.
Para nos divertir faremos quanto
reputa o varão sábio, honesto e santo.
Nas noites de serão nos sentaremos
c'os filhos, se os tivermos, à fogueira:
entre as falsas histórias, que contares,
lhes contarás a minha, verdadeira:
Pasmados te ouvirão; eu, entretanto,
ainda o rosto banharei de pranto.
Quando passarmos juntos pela rua,
nos mostrarão c'o dedo os mais Pastores,
dizendo uns para os outros: — Olha os nossos
exemplos da desgraça e sãos amores.
Contentes viveremos desta sorte,
até que chegue a um dos dois a morte.
Publicado no livro Marília de Dirceu: Segunda Parte (1799).
Carta 1ª
Em que se descreve a entrada, que fez Fanfarrão em Chile.
(...)
Acorda, Doroteu, acorda, acorda;
Critilo, o teu Critilo é quem te chama:
Levanta o corpo das macias penas;
Ouvirás, Doroteu, sucessos novos,
Estranhos casos, que jamais pintaram
Na idéia do doente, ou de quem dorme
Agudas febres, desvairados sonhos.
Não és tu, Doroteu, aquele mesmo,
Que pedes, que te diga, se é verdade,
O que se conta dos barbados monos,
Que à mesa trazem os fumantes pratos?
Não desejas saber, se há grandes peixes,
Que abraçando os Navios com as longas,
Robustas barbatanas, os suspendem,
Inda que o vento, que d'alheta sopra,
Lhes inche os soltos, desrizados panos?
Não queres, que te informe dos costumes
Dos incultos Gentios? Não perguntas,
Se entre eles há Nações, que os beiços furam?
E outras, que matam com piedade falsa
Os pais, que afroxam ao poder dos anos?
Pois se queres ouvir notícias velhas,
Dispersas por imensos alfarrábios,
Escuta a história de um moderno Chefe,
Que acaba de reger a nossa Chile,
Ilustre imitador a Sancho Pança.
E quem dissera, Amigo, que podia
Gerar segundo Sancho a nossa Espanha!
Não penses, Doroteu, que vou contar-te
Por verdadeira história uma novela
Da classe das patranhas, que nos contam
Verbosos Navegantes, que já deram
Ao globo deste mundo volta inteira:
Uma velha madrasta me persiga,
Uma mulher zelosa me atormente,
E tenha um bando de gatunos filhos,
Que um chavo não me deixem, se este Chefe
Não fez ainda mais, do que eu refiro.
(...)
Tem pesado semblante, a cor é baça,
O corpo de estatura um tanto esbelta,
Feições compridas, e olhadura feia,
Tem grossas sobrancelhas, testa curta,
Nariz direito, e grande; fala pouco
Em rouco baixo som de mau falsete;
Sem ser velho, já tem cabelo ruço;
E cobre este defeito, e fria calva
À força de polvilho, que lhe deita.
Ainda me parece, que o estou vendo
No gordo rocinante escarranchado!
As longas calças pelo embigo atadas,
Amarelo colete, e sobre tudo
Vestida uma vermelha, e justa farda:
(...)
Publicado no livro Cartas Chilenas (1845).In: GONZAGA, Tomás Antônio. Cartas chilenas. Introd. cronol. notas e estabelecimento de texto Joaci Pereira Furtado. São Paulo: Companhia das Letras, 1995. p.50-53. (Retratos do Brasil, 1)
Eu, Marília, não fui nenhum Vaqueiro,
fui honrado Pastor da tua Aldeia;
vestia finas lãs e tinha sempre
a minha choça do preciso cheia.
Tiraram-me o casal e o manso gado,
nem tenho, a que me encoste, um só cajado.
Para ter que te dar, é que eu queria
de mor rebanho ainda ser o dono;
prezava o teu semblante, os teus cabelos
ainda muito mais que um grande Trono.
Agora que te oferte já não vejo,
além de um puro amor, de um são desejo.
(...)
Nós iremos pescar na quente sesta
com canas e com cestos os peixinhos;
nós iremos caçar nas manhãs frias
com a vara enviscada os passarinhos.
Para nos divertir faremos quanto
reputa o varão sábio, honesto e santo.
Nas noites de serão nos sentaremos
c'os filhos, se os tivermos, à fogueira:
entre as falsas histórias, que contares,
lhes contarás a minha, verdadeira:
Pasmados te ouvirão; eu, entretanto,
ainda o rosto banharei de pranto.
Quando passarmos juntos pela rua,
nos mostrarão c'o dedo os mais Pastores,
dizendo uns para os outros: — Olha os nossos
exemplos da desgraça e sãos amores.
Contentes viveremos desta sorte,
até que chegue a um dos dois a morte.
Publicado no livro Marília de Dirceu: Segunda Parte (1799).
Carta 1ª
Em que se descreve a entrada, que fez Fanfarrão em Chile.
(...)
Acorda, Doroteu, acorda, acorda;
Critilo, o teu Critilo é quem te chama:
Levanta o corpo das macias penas;
Ouvirás, Doroteu, sucessos novos,
Estranhos casos, que jamais pintaram
Na idéia do doente, ou de quem dorme
Agudas febres, desvairados sonhos.
Não és tu, Doroteu, aquele mesmo,
Que pedes, que te diga, se é verdade,
O que se conta dos barbados monos,
Que à mesa trazem os fumantes pratos?
Não desejas saber, se há grandes peixes,
Que abraçando os Navios com as longas,
Robustas barbatanas, os suspendem,
Inda que o vento, que d'alheta sopra,
Lhes inche os soltos, desrizados panos?
Não queres, que te informe dos costumes
Dos incultos Gentios? Não perguntas,
Se entre eles há Nações, que os beiços furam?
E outras, que matam com piedade falsa
Os pais, que afroxam ao poder dos anos?
Pois se queres ouvir notícias velhas,
Dispersas por imensos alfarrábios,
Escuta a história de um moderno Chefe,
Que acaba de reger a nossa Chile,
Ilustre imitador a Sancho Pança.
E quem dissera, Amigo, que podia
Gerar segundo Sancho a nossa Espanha!
Não penses, Doroteu, que vou contar-te
Por verdadeira história uma novela
Da classe das patranhas, que nos contam
Verbosos Navegantes, que já deram
Ao globo deste mundo volta inteira:
Uma velha madrasta me persiga,
Uma mulher zelosa me atormente,
E tenha um bando de gatunos filhos,
Que um chavo não me deixem, se este Chefe
Não fez ainda mais, do que eu refiro.
(...)
Tem pesado semblante, a cor é baça,
O corpo de estatura um tanto esbelta,
Feições compridas, e olhadura feia,
Tem grossas sobrancelhas, testa curta,
Nariz direito, e grande; fala pouco
Em rouco baixo som de mau falsete;
Sem ser velho, já tem cabelo ruço;
E cobre este defeito, e fria calva
À força de polvilho, que lhe deita.
Ainda me parece, que o estou vendo
No gordo rocinante escarranchado!
As longas calças pelo embigo atadas,
Amarelo colete, e sobre tudo
Vestida uma vermelha, e justa farda:
(...)
Publicado no livro Cartas Chilenas (1845).In: GONZAGA, Tomás Antônio. Cartas chilenas. Introd. cronol. notas e estabelecimento de texto Joaci Pereira Furtado. São Paulo: Companhia das Letras, 1995. p.50-53. (Retratos do Brasil, 1)
Poesia - Claudio Manuel da Costa
I
Para cantar de amor tenros cuidados,
Tomo entre vós, ó montes, o instrumento;
Ouvi pois o meu fúnebre lamento;
Se é, que de compaixão sois animados:
Já vós vistes, que aos ecos magoados
Do trácio Orfeu parava o mesmo vento;
Da lira de Anfião ao doce acento
Se viram os rochedos abalados.
Bem sei, que de outros gênios o Destino,
Para cingir de Apolo a verde rama,
Lhes influiu na lira estro divino:
O canto, pois, que a minha voz derrama,
Porque ao menos o entoa um peregrino,
Se faz digno entre vós também de fama.
IV
Sou pastor; não te nego; os meus montados
São esses, que aí vês; vivo contente
Ao trazer entre a relva florescente
A doce companhia dos meus gados;
Ali me ouvem os troncos namorados,
Em que se transformou a antiga gente;
Qualquer deles o seu estrago sente;
Como eu sinto também os meus cuidados.
Vós, ó troncos, (lhes digo) que algum dia
Firmes vos contemplastes, e seguros
Nos braços de uma bela companhia;
Consolai-vos comigo, ó troncos duros;
Que eu alegre algum tempo assim me via;
E hoje os tratos de Amor choro perjuros.
Clássicos da Poesia Brasileira. Ed. Melhoramentos
Para cantar de amor tenros cuidados,
Tomo entre vós, ó montes, o instrumento;
Ouvi pois o meu fúnebre lamento;
Se é, que de compaixão sois animados:
Já vós vistes, que aos ecos magoados
Do trácio Orfeu parava o mesmo vento;
Da lira de Anfião ao doce acento
Se viram os rochedos abalados.
Bem sei, que de outros gênios o Destino,
Para cingir de Apolo a verde rama,
Lhes influiu na lira estro divino:
O canto, pois, que a minha voz derrama,
Porque ao menos o entoa um peregrino,
Se faz digno entre vós também de fama.
IV
Sou pastor; não te nego; os meus montados
São esses, que aí vês; vivo contente
Ao trazer entre a relva florescente
A doce companhia dos meus gados;
Ali me ouvem os troncos namorados,
Em que se transformou a antiga gente;
Qualquer deles o seu estrago sente;
Como eu sinto também os meus cuidados.
Vós, ó troncos, (lhes digo) que algum dia
Firmes vos contemplastes, e seguros
Nos braços de uma bela companhia;
Consolai-vos comigo, ó troncos duros;
Que eu alegre algum tempo assim me via;
E hoje os tratos de Amor choro perjuros.
Clássicos da Poesia Brasileira. Ed. Melhoramentos
segunda-feira, 24 de agosto de 2009
Arcadismo
Momento sócio-cultural
. O centro sócio-econômico da colônia desloca-se do Nordeste para o Centro-sul, devido à descoberta de ouro e diamantes em Minas Gerais.
. Ocorre um surto de urbanização em Minas e Rio de Janeiro (que se torna a nova capital da colônia), e aumenta o número de intelectuais.
. Influenciada pelas idéias iluministas e pela Revolução Francesa, ocorre a Inconfidência Mineira, rebelião que intentava a independência do Brasil.
Características literárias
. O Arcadismo opõem-se ao Barroco, procura eliminar da arte os excessos praticados pela literatura barroca. Esse objetivo produziu uma arte simples, sem exageros formais, que pretendia retratar a natureza de modo direto. Outra marca do Arcadismo é o bucolismo (exaltação da vida no campo, idealizada como tranqüila e feliz).
. Uso da mitologia clássica e dos princípios renascentistas: racionalismo, equilíbrio, clareza.
Autores e Obras
. Cláudio Manuel da Costa: participante da Inconfidência Mineira, deixou Obras Poéticas (1768) e o épico Vila Rica (1839).
. Tomás Antonio Gonzaga: outro poeta que participou da Inconfidência. Deixou obra muito influente, onde os destaques são Cartas Chilenas (reunidas entre 1845-1863) e Marília de Dirceu (1792).
. Basílio da Gama: escreveu O Uraguai (1769), poema épico que critica a ação dos jesuítas e enaltece o marquês de Pombal.
. O centro sócio-econômico da colônia desloca-se do Nordeste para o Centro-sul, devido à descoberta de ouro e diamantes em Minas Gerais.
. Ocorre um surto de urbanização em Minas e Rio de Janeiro (que se torna a nova capital da colônia), e aumenta o número de intelectuais.
. Influenciada pelas idéias iluministas e pela Revolução Francesa, ocorre a Inconfidência Mineira, rebelião que intentava a independência do Brasil.
Características literárias
. O Arcadismo opõem-se ao Barroco, procura eliminar da arte os excessos praticados pela literatura barroca. Esse objetivo produziu uma arte simples, sem exageros formais, que pretendia retratar a natureza de modo direto. Outra marca do Arcadismo é o bucolismo (exaltação da vida no campo, idealizada como tranqüila e feliz).
. Uso da mitologia clássica e dos princípios renascentistas: racionalismo, equilíbrio, clareza.
Autores e Obras
. Cláudio Manuel da Costa: participante da Inconfidência Mineira, deixou Obras Poéticas (1768) e o épico Vila Rica (1839).
. Tomás Antonio Gonzaga: outro poeta que participou da Inconfidência. Deixou obra muito influente, onde os destaques são Cartas Chilenas (reunidas entre 1845-1863) e Marília de Dirceu (1792).
. Basílio da Gama: escreveu O Uraguai (1769), poema épico que critica a ação dos jesuítas e enaltece o marquês de Pombal.
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